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terça-feira, 23 de agosto de 2011

A ESCOLHA DE SOFIA


Dos homens não esperai mais que a loucura.
Os enterros sem lápides, em terras coletivas,
na vala da impiedade, na vala da miséria,
na Máquina gigante e imperturbável da morte.

A produzir teus mortos; em escalas e metas
de domínio a alcançar; apressada e odiosa;
intolerante e inquieta.

Onde estão teus olhos, soldado
para a criança que matas facilmente?
Olhai nos olhos da criança
e percebei tua falta indecente.

Mas não percebes!
(E o mundo também não percebe
as dores alheias, desde que distantes
do teu sítio).

A engrenagem do ódio põe a máquina a girar.
Gira impiedosa com tua insana inclemência,
na loucura dos doentes, dos aflitos,
indiferentes à própria demência.

Onde estão tuas dores, soldado,
quando desossa tua própria humanidade?
O que te perturba, a indecência, a criança
ou tua imoralidade?

Mas nada sentes!
(E também não ouvimos os tiros e os gritos
do inocente).

Quando a Máquina para e descortina então
o teu penar mais reles e profundo,
teu desperdício e barbárie em valas de comunhão,
nos assustamos! É que sabemos, no fundo,
que nas valas sem compaixão, jaz a vergonha do próprio mundo!

AC

Um comentário:

  1. Nota da autora: "A ESCOLHA DE SOFIA" é um livro que relata uma triste e bela história sobre uma mãe com uma decisão impossível de se fazer, durante a segunda guerra mundial. Meu poema baseou-se na impressão que o livro me causou. O livrou virou um filme estrelado em 1982 por Meryl Streep, que faz o papel de Sofia, e o qual lhe rendeu um Oscar.

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