Eu espalmo minhas mãos,
grandes, em busca do infinito.
E sinto irradiar-lhes entre os dedos
as pequenas cargas de energia, auras,
cosmos, supra percepções.
Estou conectada.
Ao mundo, ao eu, às possibilidades,
àqueles que desconheço e por quem
nem mesmo sinto amor.
Eu sinto a força da minha ousadia.
Livre, não somente eu levito,
eu entrego, compreendo, aceito,
ou, contrariamente,
questiono, revolvo, insisto.
As minhas mãos são como gigantes focos,
experientes raízes,
espelhos retrovisores e antevisores,
dois barcos a carregar o drama e a alegria
da consciência das ondas.
Eu me acolho tão forte,
que chego a me sentir sublime.
AC
Lançada estou neste turbilhão afetivo
Em que mesclo uma melancolia transbordante
Em confusos choros de alegria e tristeza
Onde não me encontro nem me realizo!
Perdida estou, sem nítida compreensão
De para que me encontro neste infortúnio
Qual meu lugar, ventura ou qual meu ofício
No mundo inverosímel em que habito!
Assim me procuro em vasto tudo/ longo nada
Eu me vasculho e me entendio e me pergunto
Eu me emociono e sobretudo me entristeço
Na hora oca que prolonga o sofrimento!
Oh meus amores, perdoai a vossa mãe
Por nem em vós ter a resposta às minhas dores
Ao nó cronicamente a mim enlaçado
Feitiço extremo, mau agouro, amargo unguento!
AC