("Mais que tudo, me busco no meu grande vazio. ")
Quem sou eu, moça de invernos abissais.
Verdades difíceis, dores de vastos contornos,
olhos de uma secura vazia?
Criada como um personagem que se arrasta
no tempo que não permanece,
no espaço que não há.
Quem sou eu, que tenho de muito ou tão pouco,
nas nesgas de horas que se pressente em vida,
num deslocamento vazio de mesas, cadeiras,
sons e entercalços.
Sou tanto e sou tão nada, nem desejo o ser-o
existir -o estar -o perpassar.
Quem sou eu que não me perdoo de minhas tolas
indistinções?
Eu sou o ausente que não fala,
o silêncio que não escuta,
a mudez que não quer enxergar.
Sou confusão de sentidos e
sentimentos, e
ainda querendo a eternidade da inexistência,
persisto como chama vazia,
como dor murcha,
aquietada em algum canto de melancolias.
AC