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terça-feira, 23 de agosto de 2011

MÚLTIPLOS

Queria abraçar mais as alvoradas!
Queria escrever mais sobre a beleza!
Mas tenho alma pessimista;
e a dor maior me intimida.
Por isso, poupam-me as palavras mágicas.
Desventuro-me em tentar encontrá-las
e só nelas reside o belo.
(Pequenos encaixes de perfeição
em sua sonoridade singela)
Queria cantar mais as virtudes!
Queria aquecer os corações!
Mas sou descrente das coisas,
dos objetos e gentes.
Tenho uma alma muda,
cega, surda e aflita.
Por isso, repousam-me as frases nos ombros,
catarse da minha melancolia.
(Enigmas multidecifráveis
embriagados de simbologia)
Queria que da minha boca, as palavras fossem somente
o belo em sua semente.
Pois na minha descrença, acredito piamente
- e acredito, tão somente;
que é na morada das palavras
que reside nossa alma.


AC

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