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sábado, 7 de janeiro de 2017

À ESPERA


Ele disse que a amava, mas lhe avisou:
Espera um pouco aí;
Retenha seu fôlego por algumas horas,
aguente essa tensão indefinida no ar,
Afinal eu preciso ir ali viver minha vida
sem você por uns instantes
Levite contra a sua própria gravidade,
seja paciente e concisa em sua espera,
Afinal eu lhe declaro, eu lhe amo sublimemente
E isso por si só já basta para adquirir sua alma


Você disse que a amava, mas se retirou
para experimentar seus gostos, desejos, anseios,
oportunidades e expressões
Pedindo para que os dela próprios fossem suspensos 
em um limbo de semiexistência
Como notas musicais que ao ser tocadas
não deveriam emitir som algum
Ou como se a respiração retida por tanto tempo não fosse capaz de talvez mesmo matar

Mas nem mesmo o mais intenso e verdadeiro amor tem licença para usurpar sonhos e deixar os corações tão partidos.



AC

DO DESENCANTO DAS COISAS BREVES

O tempo passa tão adoidado
Que a dor de repente passa
E a lembrança se vai feito pássaro pra outro hemisfério

Passamos a esquecer da própria lembrança
E a só lembrar do próprio esquecimento

E o que parecia ser, afinal se mostra como se nunca fosse
Ou tivesse mesmo de ter sido algum dia

De repente alguém apaga as estrelas de piscar e sua árvore de natal fica doente

E nem o brilho de luzes, fogos ou amores parece ter mais importância

Tudo vai morrendo na desimportância à que atribuem às flores que você tentou em vão plantar
Essa é a tristeza maior de todas, a tristeza que de tão triste se esquece de lembrar como teria sido um dia aquela

Breve felicidade.

AC

O QUE OFEREÇO

Eu vou mudando meu corpo
Testando, ampliando, exigindo
Deveras possibilidades

Na pele, escrevi minha poesia
Em dois corações delicados
Pura expressão do amor
já outrora tatuado na alma

E sigo mudando minha alma

Sentindo, sorvendo, salvando

Neste todo substância que procuro
Funde-se pele marcada pelo amor
Com alma triste, saudosa do amor

A alma sofre; a pele marca; a vida segue.

AC