Sobre o que somos:
Não acredito realmente que somos algo maior ou que tenhamos algum privilégio por sermos seres cientes em um mundo que parece saber caminhar por suas próprias pernas.
Tantas vezes, me parece perfeito pensar que tanto o caos como leis simétricas, aritméticas e semiperfeitas ditaram ou ditam os rumos da vida e evolução.
O mundo caminha a despeito de nós, muito antes de estarmos aqui, e assim o será muito depois.
Então, que somos nesta grande teia infinita do universo? Que ponto distante representamos nós, irrelevantes, desvirtuados de um destino conhecido?
Na caixa cinza e branca do cérebro, é certo que precisamos firmar acordos para aceitar nossa própria existência, assim como precisamos de gavetas para organizar as sensações.
Assim, precisamos criar o tempo, para compreender a passagem dos eventos.
Precisamos reter memórias, para criarmos histórias coerentes.
Necessitamos explicações para os processos, nessa infindável busca por autoconhecimento.
Havemos que entender, explicar, conjecturar, aceitar, modificar.
E nos deparamos com o maior enigma de todos, aquele que nos paralisa, e que desde o nosso nascimento dá as cartas para as nossas próprias escolhas, na vã tentativa de adiar ou ludibriar o que tantas vezes é mesmo inaceitável.
Ó morte, por você, e não pelo nossa significância dentro do universo, é que criamos deuses, oferendas, tradições, sociedades e culturas.
Para protege-nos da morte, elaboramos significados variados para a vida.
Dentro do caldeirão absolutamente despretensioso para a vida: se hoje chove pouco ou faz sol, se é segunda ou quinta, se são dez horas ou se é meia noite, é certo que entender a si mesmo como uma peça igualmente desimportante do quebra cabeças do mundo pode trazer desconforto, desorientação e incômodo para os nossos cérebros mimados.
Mas é certa que essa reflexão se faz necessária para entendermos que de fato nada representamos de maior ou especial, em um singelo exercício de humildade.
AC
Leia! Há de ter a sensibilidade necessária e talvez até paciência para entender as linhas ou as entrelinhas. Há de ser puro de coração, para permitir que a poesia ou o texto o invada. Tal qual um aroma, você pode senti-lo, sorvê-lo, inundar-se, e pode até tocar as palavras, seduzindo-se pelas infinitas possibilidades de interpretações e beleza. Quisera todos tivessem a mente aberta e o espírito livre para isso!
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
Breves discussões cotidianas
Sobre as necessidades:
As palavras são uma fonte de alimento espiritual. Nelas, destravo o nó da garganta, o abafamento do coração doído e alforrio o grito hesitante retido.
Quantas vezes, escrever e simplesmente reler satisfazem e aquietam os meus sentidos. E releio, releio e releio, em um processo quase de auto análise, onde me pego inebriada pelo formato que as frases compõem e pela verdade absoluta e sincera que atingo com meu próprio texto.
Seria um exercício de egolatria? Não sei.
O que sei é que as palavras são minhas preces e este refúgio, meu templo de orações.
AC
As palavras são uma fonte de alimento espiritual. Nelas, destravo o nó da garganta, o abafamento do coração doído e alforrio o grito hesitante retido.
Quantas vezes, escrever e simplesmente reler satisfazem e aquietam os meus sentidos. E releio, releio e releio, em um processo quase de auto análise, onde me pego inebriada pelo formato que as frases compõem e pela verdade absoluta e sincera que atingo com meu próprio texto.
Seria um exercício de egolatria? Não sei.
O que sei é que as palavras são minhas preces e este refúgio, meu templo de orações.
AC
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
Breves discussões cotidianas
Sobre a impaciência:
Agradeço, de certa forma, descobrir ainda relativamente jovem, esse indelével defeito. Sou feita de matéria impaciente, que incomoda muito antes e sobretudo a mim mesma ao me impor constantemente um ritmo de produção e eficiência.
Observe-se a natureza, e ela lhe dará grandes lições de vida.
Há o tempo certo e demorado pra colheita dos frutos.
E o plantio e o constante regar da semente é um processo longo e persistente de entrega e abnegação.
A paciência tem de estar presente para que os nove meses de gravidez tenham um final feliz.
A própria história soberba do universo e da criação lenta do nosso mundo nos dá dica de que se há palavras de ordem dentro do caos, são elas: persistência e resiliência.
Saber esperar é antes de tudo um dom. E para mim, soa como uma necessidade de libertação a mais neste papel duro a que tenho me resignado, que é o de dar, aflitivamente, urgência à realização das coisas.
AC
Agradeço, de certa forma, descobrir ainda relativamente jovem, esse indelével defeito. Sou feita de matéria impaciente, que incomoda muito antes e sobretudo a mim mesma ao me impor constantemente um ritmo de produção e eficiência.
Observe-se a natureza, e ela lhe dará grandes lições de vida.
Há o tempo certo e demorado pra colheita dos frutos.
E o plantio e o constante regar da semente é um processo longo e persistente de entrega e abnegação.
A paciência tem de estar presente para que os nove meses de gravidez tenham um final feliz.
A própria história soberba do universo e da criação lenta do nosso mundo nos dá dica de que se há palavras de ordem dentro do caos, são elas: persistência e resiliência.
Saber esperar é antes de tudo um dom. E para mim, soa como uma necessidade de libertação a mais neste papel duro a que tenho me resignado, que é o de dar, aflitivamente, urgência à realização das coisas.
AC
Breves discussões cotidianas
Sobre as guerras:
E há, possivelmente, alguma guerra feita por homens bons?
E a resposta, que demonstra o quão complexa é a natureza e o instinto humanos , que não podemos julgar atos e pessoas tão linearmente, é somente uma: há!
AC
E há, possivelmente, alguma guerra feita por homens bons?
E a resposta, que demonstra o quão complexa é a natureza e o instinto humanos , que não podemos julgar atos e pessoas tão linearmente, é somente uma: há!
AC
domingo, 29 de novembro de 2015
A INDIFERENÇA
" O olhar indiferente é um perpétuo adeus.
Malcolm de Chazal"
Eu guardo em mim a gentileza dos fortes
Eu sou o portentoso navio que segue
no mar tormentoso da tristeza
Eu sou a águia que enxerga além
dos alheios voos comezinhos
Eu me mantenho digna perante as indiferenças
Eu recrio meu sorriso cada vez
que em minha alma sou levada pela aflição
Eu consigo me manter de pé apesar
dos fragmentos de felicidade
Eu vivo cada dia com dois imensos corações
no peito
E quando o meu coração está cansado,
ritmo oscilante, esse grande amor
me retroalimenta
Eu finjo a coragem dos que necessitam
passar pelos trovões de resistência
Eu enfraqueço a dor com a certeza
de que a vida, maior e melhor que mim,
prosseguirá.
Eu, tantas vezes pequenina,
tantas vezes sozinha,
frágil e perdida...
resgato, de alguma forma,
de alguma sorte,
em alguma vida,
em algum sentido,
o que preciso para ir...além.
AC
Malcolm de Chazal"
Eu guardo em mim a gentileza dos fortes
Eu sou o portentoso navio que segue
no mar tormentoso da tristeza
Eu sou a águia que enxerga além
dos alheios voos comezinhos
Eu me mantenho digna perante as indiferenças
Eu recrio meu sorriso cada vez
que em minha alma sou levada pela aflição
Eu consigo me manter de pé apesar
dos fragmentos de felicidade
Eu vivo cada dia com dois imensos corações
no peito
E quando o meu coração está cansado,
ritmo oscilante, esse grande amor
me retroalimenta
Eu finjo a coragem dos que necessitam
passar pelos trovões de resistência
Eu enfraqueço a dor com a certeza
de que a vida, maior e melhor que mim,
prosseguirá.
Eu, tantas vezes pequenina,
tantas vezes sozinha,
frágil e perdida...
resgato, de alguma forma,
de alguma sorte,
em alguma vida,
em algum sentido,
o que preciso para ir...além.
AC
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
DO QUE SEI
Tristeza
Devota companheira
Não ouso
te denegrir
Pois embalas ternamente
em teu colo
a minha fragilidade
em existir.
AC
Devota companheira
Não ouso
te denegrir
Pois embalas ternamente
em teu colo
a minha fragilidade
em existir.
AC
SOBRENOME OU PASSAGEM
Há algo de incômodo no Teixeira Gomes
Algo que me remonta
ao pai ausente,
à infância sem irmãs.
E quando penso no Teixeira Gomes,
tenho gravado em mente
aquela cena do final da tarde de 1979.
Você, nunca presente,
estacionou do outro lado da rua.
Veio ao meu encontro se despedir
- da partida inerente.
Que sabe uma criança
da separação dos pais?
Pois nada senti, mas aquela cena,
dormente,
repousa viva na minha memória.
Uma das poucas vezes em que vi
que você, olhos marejados,
olhos de mar, talvez se importasse
com a criança que deixou ali.
(Pra sempre).
AC
Algo que me remonta
ao pai ausente,
à infância sem irmãs.
E quando penso no Teixeira Gomes,
tenho gravado em mente
aquela cena do final da tarde de 1979.
Você, nunca presente,
estacionou do outro lado da rua.
Veio ao meu encontro se despedir
- da partida inerente.
Que sabe uma criança
da separação dos pais?
Pois nada senti, mas aquela cena,
dormente,
repousa viva na minha memória.
Uma das poucas vezes em que vi
que você, olhos marejados,
olhos de mar, talvez se importasse
com a criança que deixou ali.
(Pra sempre).
AC
terça-feira, 24 de novembro de 2015
O RETRATO DE UM ÁLBUM
Eu vi a mim aos 22 anos.
O que ali vi?
Rendida em pura inocência
daquelas em que já não se acredita.
Que sabia eu dali?
Em meus breves 22 anos?
Do mundo só depois entendi
a aspereza.
Eu olhei meus próprios olhos
Vi meus sonhos então não vividos
e que ainda não vivi.
Eu vi brilho nos meus olhos
que parecem ainda mais negros que
os meus olhos menos negros hoje.
Eu vi um sorriso vendido, de tão fácil,
expandido
na alegria pueril de quando se é jovem.
Meus sorrisos hoje
são todos premeditados.
Eu vi meu futuro doce
a me esperar,
paciente na lentidão do tempo
de quando se tem 22 anos.
Eu não sabia que de tudo
que ali não concebi, menos ainda teria;
ou menos ainda faria,
pois vejo que muito pouco fiz.
E vem assim essa certidão
de que uma vez nascida então não cresci.
Porque meus sonhos ficaram tão escondidos
nos retratos doces dos meus 22 anos
que se da vida colhi dois amores: minhas filhas,
de resto, empalideci.
AC
O que ali vi?
Rendida em pura inocência
daquelas em que já não se acredita.
Que sabia eu dali?
Em meus breves 22 anos?
Do mundo só depois entendi
a aspereza.
Eu olhei meus próprios olhos
Vi meus sonhos então não vividos
e que ainda não vivi.
Eu vi brilho nos meus olhos
que parecem ainda mais negros que
os meus olhos menos negros hoje.
Eu vi um sorriso vendido, de tão fácil,
expandido
na alegria pueril de quando se é jovem.
Meus sorrisos hoje
são todos premeditados.
Eu vi meu futuro doce
a me esperar,
paciente na lentidão do tempo
de quando se tem 22 anos.
Eu não sabia que de tudo
que ali não concebi, menos ainda teria;
ou menos ainda faria,
pois vejo que muito pouco fiz.
E vem assim essa certidão
de que uma vez nascida então não cresci.
Porque meus sonhos ficaram tão escondidos
nos retratos doces dos meus 22 anos
que se da vida colhi dois amores: minhas filhas,
de resto, empalideci.
AC
MIA
Gatinha do pelo dourado
Potinho de pelo aveludado!
Mia, miau!
Minha terceira menina,
dona do seu pequeno mundo
de duzentos metros quadrados.
Aqui reina a patinha,
a suave lambida da língua,
a cauda alegre entretida
faceiramente felina!
Como é doce e difícil a vida
da gatinha ruiva escondida,
atrás da mesa de jantar,
miau pra lá e pra cá.
Minha doce gatinha linda
mas tão meiga e feminina
que de todas que já tive
reinas como a preferida!
O focinho que beija minha face;
gelado, malhado, molhado
A barriga que me ofereces
em tal lânguida entrega
que tua dona assim merece.
Gatinha do meu coração
Gatinha da minha família.
,
Miaqui , miali, miau!
AC
Potinho de pelo aveludado!
Mia, miau!
Minha terceira menina,
dona do seu pequeno mundo
de duzentos metros quadrados.
Aqui reina a patinha,
a suave lambida da língua,
a cauda alegre entretida
faceiramente felina!
Como é doce e difícil a vida
da gatinha ruiva escondida,
atrás da mesa de jantar,
miau pra lá e pra cá.
Minha doce gatinha linda
mas tão meiga e feminina
que de todas que já tive
reinas como a preferida!
O focinho que beija minha face;
gelado, malhado, molhado
A barriga que me ofereces
em tal lânguida entrega
que tua dona assim merece.
Gatinha do meu coração
Gatinha da minha família.
,
Miaqui , miali, miau!
AC
O GREGO
O médico.
A solidão fria do consultório
A imprecisão diagnóstica
do tato sem amor,
tal odor sem olfato.
O desumano.
Que há em mim e em ti
revelado nos olhos cansados,
perante ombros resvalados
a esmiuçar dor tão errante.
A dor.
A que aproxima e repele
a nossa mortalidade
O médico está acima do homem
ou consome sua vitalidade?
O que há dentro?
Tantos órgãos... ou sonhos?
Tantas doenças... ou medos?
Indecisões.. ou arremedos?
A cura da alma
ou o remédio que acalma?
(O coração, que bate resistente,
no peito almeja simplesmente
o ritmo pulsante, vivo e quente....
.... do amor.)
AC
A solidão fria do consultório
A imprecisão diagnóstica
do tato sem amor,
tal odor sem olfato.
O desumano.
Que há em mim e em ti
revelado nos olhos cansados,
perante ombros resvalados
a esmiuçar dor tão errante.
A dor.
A que aproxima e repele
a nossa mortalidade
O médico está acima do homem
ou consome sua vitalidade?
O que há dentro?
Tantos órgãos... ou sonhos?
Tantas doenças... ou medos?
Indecisões.. ou arremedos?
A cura da alma
ou o remédio que acalma?
(O coração, que bate resistente,
no peito almeja simplesmente
o ritmo pulsante, vivo e quente....
.... do amor.)
AC
domingo, 22 de novembro de 2015
O FIM
E quando o mundo acabar
encontrarão,
deixado dos escombros,
sonhos perdidos,
debaixo das pedras,
dores e suspiros,
debaixo das ruínas,
lágrimas e ruídos
atrás dos destroços,
almas destruídas,
entre lama e lixo,
corações partidos
debaixo das escadas,
gritos e gemidos.
E encontrarão
canções, verdades, mentiras,
palavras soltas, provocações,
miséria, doença, saúde
e alegrias pequenas ou desmedidas.
Mistérios, agruras, interesses vis,
gentilezas, maldades, cores,
destinos, justificativas,
incompreensões, aflições,
brigas, ódios extremos,
ódios medianos, rusgas,
boas e má intenções.
Rotinas mudas, resiliências,
cansaço, loucuras, egos,
impaciências e assentimentos.
Quando tudo acabar,
o mundo, palco árido e sem sentido,
vigia do teatro da vida,
observador contumaz e passivo...
deixará ao léu, em cada nicho
o suspiro do que um dia ocorreu.
E talvez quem sabe encontrarão
mais do que o meu infortúnio,
jazendo sob a vala encoberta,
meu tímido e verdadeiro sorriso.
AC
domingo, 30 de agosto de 2015
CAMADAS
Eu sonhei contigo, mas me roubaste
meu sonho doce.
Teci a manta do desapontamento
Eu que tanto te quis nos mais doce
dos meus sonhos
Mas retiraste o cobertor
que me faria feliz
Eu quis acarinhar-te, mas não quiseste
meu cuidado
Vesti o refúgio da tristeza
E cobriste de desencanto
uma boa parte da minha existência
Eu lembrei do tempo em que,
pensava, iria me apresentar ao enlevo
Mas o enlevo se desfez
ao não me fazer tua escolhida
E desde muito, então,
talvez desde sempre,
recolhi em minh' alma a camada fria,
amarga e sofrida
- de sonhos roubados-
da desilusão.
AC
meu sonho doce.
Teci a manta do desapontamento
Eu que tanto te quis nos mais doce
dos meus sonhos
Mas retiraste o cobertor
que me faria feliz
Eu quis acarinhar-te, mas não quiseste
meu cuidado
Vesti o refúgio da tristeza
E cobriste de desencanto
uma boa parte da minha existência
Eu lembrei do tempo em que,
pensava, iria me apresentar ao enlevo
Mas o enlevo se desfez
ao não me fazer tua escolhida
E desde muito, então,
talvez desde sempre,
recolhi em minh' alma a camada fria,
amarga e sofrida
- de sonhos roubados-
da desilusão.
AC
EXTRAVIO
Eu lamento tanto,
da vida conhecer tão pouco
da verdadeira felicidade.
Porque nasci assim,
afeita às pequenas dores
em um grito desiludido.
Em um mundo que me aborrece
de tanto não compreendido.
Da fé que não tenho
nem em deuses ou pessoas.
A tatear tintas belas
a sobrepor borrões da realidade.
E assim criam-se telas
mentirosas da vida que não é perfeita
nem nunca será contrafeita.
Como se precisássemos estar aqui,
nós que nada somos.
Como se fôssemos algo maior,
em nossa inexpressiva escala
no universo.
Eu lamento muito
que do mundo e das pessoas
conheça mais o avesso,
a futilidade das essências,
a obviedade do nada.
Eu sinto que, no martírio delicado
das sensações que tenho no peito,
na trama sutil que envolve
dores, desejos, devaneios, danações...
Me reste a triste desolação
do tempo perdido, em um mundo
igualmente extraviado de sentido.
AC
da vida conhecer tão pouco
da verdadeira felicidade.
Porque nasci assim,
afeita às pequenas dores
em um grito desiludido.
Em um mundo que me aborrece
de tanto não compreendido.
Da fé que não tenho
nem em deuses ou pessoas.
A tatear tintas belas
a sobrepor borrões da realidade.
E assim criam-se telas
mentirosas da vida que não é perfeita
nem nunca será contrafeita.
Como se precisássemos estar aqui,
nós que nada somos.
Como se fôssemos algo maior,
em nossa inexpressiva escala
no universo.
Eu lamento muito
que do mundo e das pessoas
conheça mais o avesso,
a futilidade das essências,
a obviedade do nada.
Eu sinto que, no martírio delicado
das sensações que tenho no peito,
na trama sutil que envolve
dores, desejos, devaneios, danações...
Me reste a triste desolação
do tempo perdido, em um mundo
igualmente extraviado de sentido.
AC
LACUNA
Tantas vezes me pergunto
de qual amor necessito...
Do teu, do meu, da vida lá fora...?
Tenho braços estendidos
que procuram, desorientados,
pela doce explicação das horas.
E vou cultivando, em introspecções,
o desconforto de nunca encontrar
o endereço verdadeiro que procuro.
Vou retraindo os meus sentidos
até essa ingrata percepção,
no ar que se retém no espaço doído dos pulmões,
na tristeza cálida e quase desejada que se avoluma
no canto dos olhos.
E quando os olhos por fim explodem
em pedacinhos de água morna, salgada...
... eu vejo o mundo lá fora...
sem endereços, sem ruas, sem amor ou
explicações.
AC
de qual amor necessito...
Do teu, do meu, da vida lá fora...?
Tenho braços estendidos
que procuram, desorientados,
pela doce explicação das horas.
E vou cultivando, em introspecções,
o desconforto de nunca encontrar
o endereço verdadeiro que procuro.
Vou retraindo os meus sentidos
até essa ingrata percepção,
no ar que se retém no espaço doído dos pulmões,
na tristeza cálida e quase desejada que se avoluma
no canto dos olhos.
E quando os olhos por fim explodem
em pedacinhos de água morna, salgada...
... eu vejo o mundo lá fora...
sem endereços, sem ruas, sem amor ou
explicações.
AC
A SOLIDÃO DO TEMPO
O tempo ficou velho.
Tu, que te apossas das horas rápidas da infância
e embriaga com a doçura ingênua da mocidade
que um dia julgamos eterna.
Mas, tu, tempo, também envelheces.
Não é só em nós que levas a mocidade
e traz a desilusão da maturidade,
a percepção dos sofrimentos alheios
que subitamente se tornam tão agudos!
Como que um anteparo para prever
a solidão amarga da velhice,
aquela que um dia, de uma hora pra outra,
começamos a perceber em nossos pais.
O capítulo dos pais.
Um dia heróis,
tão ativos e envoltos em suas vidas
como somos agora.
E vemos a fragilidade nos dedos que se enrugam
na surdez que domina
no andar mais delicado
nas palavras que se embaralham na mente cansada
dos anos.
É difícil, tempo, assistir ao outono dos pais.
Mas tu, tempo, também envelheces.
Não é só a nós que também levas, sorrateiramente,
para longe do desfrutar da vida.
Não é só a nós que vais tomando de assalto
em mechas brancas, juntas doloridas,
saudades do passado que se avoluma.
A vida, tempo, sempre parece mais doce no pretérito longínquo.
Mas tu, tempo, também envelheces.
Ao nos enveredar na passagem pela história,
nos curtos, breves e doidos versos
que vamos escrevendo,
no dissabor do não entendimento do para quê e porquê...
Tu, tempo, ao tempo que nos leva nessa estrada
também junto caminhas nela...
E também é teu o assombro da vida rápida,
do trem apressado que nos transporta,
destino em destino.
E se carrego comigo um pouco de ti,
então é certo que, neste mundo,
mais do que todos que já viveram,
tu já morrestes milhares de vezes,
em cada vida que precisa se apossar de ti
somente para depois deixar-te ir embora.
AC
Tu, que te apossas das horas rápidas da infância
e embriaga com a doçura ingênua da mocidade
que um dia julgamos eterna.
Mas, tu, tempo, também envelheces.
Não é só em nós que levas a mocidade
e traz a desilusão da maturidade,
a percepção dos sofrimentos alheios
que subitamente se tornam tão agudos!
Como que um anteparo para prever
a solidão amarga da velhice,
aquela que um dia, de uma hora pra outra,
começamos a perceber em nossos pais.
O capítulo dos pais.
Um dia heróis,
tão ativos e envoltos em suas vidas
como somos agora.
E vemos a fragilidade nos dedos que se enrugam
na surdez que domina
no andar mais delicado
nas palavras que se embaralham na mente cansada
dos anos.
É difícil, tempo, assistir ao outono dos pais.
Mas tu, tempo, também envelheces.
Não é só a nós que também levas, sorrateiramente,
para longe do desfrutar da vida.
Não é só a nós que vais tomando de assalto
em mechas brancas, juntas doloridas,
saudades do passado que se avoluma.
A vida, tempo, sempre parece mais doce no pretérito longínquo.
Mas tu, tempo, também envelheces.
Ao nos enveredar na passagem pela história,
nos curtos, breves e doidos versos
que vamos escrevendo,
no dissabor do não entendimento do para quê e porquê...
Tu, tempo, ao tempo que nos leva nessa estrada
também junto caminhas nela...
E também é teu o assombro da vida rápida,
do trem apressado que nos transporta,
destino em destino.
E se carrego comigo um pouco de ti,
então é certo que, neste mundo,
mais do que todos que já viveram,
tu já morrestes milhares de vezes,
em cada vida que precisa se apossar de ti
somente para depois deixar-te ir embora.
AC
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
ALUAMENTO
Às vezes, as vontades doidas me afligem
e quero sair por aí, conversando com os loucos,
com os que acreditam nas febres dos fins de tarde,
com os que colhem ainda, muitos amarelos,
os cálidos girassois do outono.
Quero telas vazias para poder pintar com cores-íris,
pratos na mesa para degustar com poucos.
Quero cheiro de sândalo nos incensos
que acalmarão meu olfato rude,
Quero tocar lâminas de seda e tule
para tear cortinas delicadas e esconder
detrás de tais cortinas a nudez festiva
que assombra anciões lúgubres.
Quero incitar pavor!
Quero da vida um pouco da melancolia cronometrada
das horas.
Mas também quero a desmedida alegria
como a que quando recebo, inusitadamente,
os beijos sorrateiros e sapecados de minhas filhas.
Quero a falta de ar dos corredores de maratona,
intrépidos atrás das linhas de chegada,
costuradas com a precisão do suor e comprometimento.
Ah! e como quero o doce encantamento
dos filmes de fadas, e também a última
e sofrida nota de um canto de fado.
E quero da noite a pura excitação e
e da tarde o inoportuno enfado.
Quero comandar as marés!
Quero a tirania dos homens deuses
a ousadia dos modelos nus
a valentia dos heróis antigos
a calmaria da onda no final da praia.
Quero testar minha sorte nos jogos de azar
e amansar os ímpetos e as intempéries
que arrasam as vilas, credos, línguas, Fortes.
Às vezes, as vontades doidas me afligem
e quero sair por aí, conversando com os loucos,
com os que acreditam nas febres dos fins de tarde,
com os que colhem ainda, muitos amarelos,
cálidos e gentis girassois do outono.
AC
e quero sair por aí, conversando com os loucos,
com os que acreditam nas febres dos fins de tarde,
com os que colhem ainda, muitos amarelos,
os cálidos girassois do outono.
Quero telas vazias para poder pintar com cores-íris,
pratos na mesa para degustar com poucos.
Quero cheiro de sândalo nos incensos
que acalmarão meu olfato rude,
Quero tocar lâminas de seda e tule
para tear cortinas delicadas e esconder
detrás de tais cortinas a nudez festiva
que assombra anciões lúgubres.
Quero incitar pavor!
Quero da vida um pouco da melancolia cronometrada
das horas.
Mas também quero a desmedida alegria
como a que quando recebo, inusitadamente,
os beijos sorrateiros e sapecados de minhas filhas.
Quero a falta de ar dos corredores de maratona,
intrépidos atrás das linhas de chegada,
costuradas com a precisão do suor e comprometimento.
Ah! e como quero o doce encantamento
dos filmes de fadas, e também a última
e sofrida nota de um canto de fado.
E quero da noite a pura excitação e
e da tarde o inoportuno enfado.
Quero comandar as marés!
Quero a tirania dos homens deuses
a ousadia dos modelos nus
a valentia dos heróis antigos
a calmaria da onda no final da praia.
Quero testar minha sorte nos jogos de azar
e amansar os ímpetos e as intempéries
que arrasam as vilas, credos, línguas, Fortes.
Às vezes, as vontades doidas me afligem
e quero sair por aí, conversando com os loucos,
com os que acreditam nas febres dos fins de tarde,
com os que colhem ainda, muitos amarelos,
cálidos e gentis girassois do outono.
AC
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
NAVIO FANTASMA
Os navios sem sombras
Me assombram, desgovernados
Com seus espíritos de piratas
em cadavéricos tapa-olhos,
roupas puídas e mal cheirosas,
pernas de pau e ganchos salgados.
Os navios partem sem rumo
irracionais e desnorteados
Cantam as sereias doces canções
chamando as almas dos seus amados
Mas nos navios, não há barris,
licores, vícios ou degenerados.
Os navios vão sem tesouros
Proas a pique no mar dos calados
Sem homens maus de intenções vis
ou ladrões de vidas, ouro e pecados.
Sem prisioneiros em tal sofrimento
que gritos ecoam na rosa-dos-ventos.
Eu tenho medo de tais navios
Assim banidos do que é sagrado
Pois o que não encontra mais um destino
De alguma forma está predestinado
A correr os mares em longa jornada
A cortar os mares em lento desperdício
A trincar marés, grande sacrifício!
O navio fantasma, fado tão insano,
navega na mente, raivoso oceano.
AC
Me assombram, desgovernados
Com seus espíritos de piratas
em cadavéricos tapa-olhos,
roupas puídas e mal cheirosas,
pernas de pau e ganchos salgados.
Os navios partem sem rumo
irracionais e desnorteados
Cantam as sereias doces canções
chamando as almas dos seus amados
Mas nos navios, não há barris,
licores, vícios ou degenerados.
Os navios vão sem tesouros
Proas a pique no mar dos calados
Sem homens maus de intenções vis
ou ladrões de vidas, ouro e pecados.
Sem prisioneiros em tal sofrimento
que gritos ecoam na rosa-dos-ventos.
Eu tenho medo de tais navios
Assim banidos do que é sagrado
Pois o que não encontra mais um destino
De alguma forma está predestinado
A correr os mares em longa jornada
A cortar os mares em lento desperdício
A trincar marés, grande sacrifício!
O navio fantasma, fado tão insano,
navega na mente, raivoso oceano.
AC
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
O QUE É BREVE, O QUE SE MANTÉM
O mundo, meus amores, não gira por mim,
nem pelas luzes do dia
pelas manhãs de sol
pelas noites arredias
pelas doces cavalgadas
pelo aroma das lavandas
pelas dores apaixonadas
pelas casas vazias
pelas almas desencarnadas
pelos ódios aos gentios
pelas iras horas e haras
pelos instintos sombrios
pelas peles perfumadas
pelas sombras pêlos cios
desvarios, desvairadas
pelos ócios que saciam
a rotina tão amarga...
O mundo gira por Elisa
O mundo gira por Clara.
AC
nem pelas luzes do dia
pelas manhãs de sol
pelas noites arredias
pelas doces cavalgadas
pelo aroma das lavandas
pelas dores apaixonadas
pelas casas vazias
pelas almas desencarnadas
pelos ódios aos gentios
pelas iras horas e haras
pelos instintos sombrios
pelas peles perfumadas
pelas sombras pêlos cios
desvarios, desvairadas
pelos ócios que saciam
a rotina tão amarga...
O mundo gira por Elisa
O mundo gira por Clara.
AC
A TELA II
Às vezes, quanto paro diante de ti
(tela descortinada)
mil inquietudes sobem à minh'alma;
- A tela, sem dores, sem queixas,
sem filhas, flores ou falas.
Até quando, eu me pergunto,
isso verterá dentro de mim?
Essa precipitação,
aflição boa e verdadeira,
tormenta sem hora marcada!
Não sei...
E não sabendo de nada
muitas vezes assim procedo:
Paro diante de ti,
sempre atenta, tão calada
e pergunto-me porque aqui vim:
- Oh tela, sem dores, sem mágoas...
Descobre o que tenho no grito
o nó no peito aflito
ou um mera alegria rasgada
de simplesmente estar aqui!
E me sobe um amor assim louco
Um abuso, uma doença, um apreço
pela coisa ainda não falada.
Aqui submeto o meu vício
e aqui me reparo no ofício
de preencher-te, tela amada!
AC
(tela descortinada)
mil inquietudes sobem à minh'alma;
- A tela, sem dores, sem queixas,
sem filhas, flores ou falas.
Até quando, eu me pergunto,
isso verterá dentro de mim?
Essa precipitação,
aflição boa e verdadeira,
tormenta sem hora marcada!
Não sei...
E não sabendo de nada
muitas vezes assim procedo:
Paro diante de ti,
sempre atenta, tão calada
e pergunto-me porque aqui vim:
- Oh tela, sem dores, sem mágoas...
Descobre o que tenho no grito
o nó no peito aflito
ou um mera alegria rasgada
de simplesmente estar aqui!
E me sobe um amor assim louco
Um abuso, uma doença, um apreço
pela coisa ainda não falada.
Aqui submeto o meu vício
e aqui me reparo no ofício
de preencher-te, tela amada!
AC
quarta-feira, 29 de julho de 2015
FENDA
De tudo que é etéreo,
só sei que um dia
não sentirei mais a brisa leve
no meu rosto desencarnado.
Dormirei o sono dos excluídos.
Mas se olhares bem meu jazigo, verás,
repousando ao lado do meu corpo inerte,
o que um dia fui: meus desejos, meus tormentos, meus sentidos.
AC
só sei que um dia
não sentirei mais a brisa leve
no meu rosto desencarnado.
Dormirei o sono dos excluídos.
Mas se olhares bem meu jazigo, verás,
repousando ao lado do meu corpo inerte,
o que um dia fui: meus desejos, meus tormentos, meus sentidos.
AC
segunda-feira, 27 de julho de 2015
EDUARDO
(para meu pequeno paciente Eduardo)
Menino de faces sardentas, olhar desperto
inquieto e que a todos deixa alerta
ao nos abandonar tão atordoados
com as traquinagens que falas!
Ô menino que ninguém controla
a língua a boca os dentes!
Despejas a tua esperteza
a pressa dos pensamentos
mas tão depressa tão depressa
que nos larga perturbados
e dás nó na cabeça da gente!
Tu não esperas um minuto menino
pra sequer tomar fôlego e ar
antes de disparatar
o teu carrossel de astúcias
deixando teus pais adoidados!
Ô menino que não-para-quieto
Dai um minuto para nós menino
ô menino sabedor e versado
de um pouco em um muito tudo
e do tudo em um muito mais.
Ô menino sagaz, irriquieto,
quando bem velhinha for
e tu já um homem feito,
e ouvir sobre o homem-menino
que foi parar em Saturno e Plutão;
que nadou nas costas de mil golfinhos;
que inventou a máquina do tempo;
que deu nó em pingo d'água;
Saberei, menino travesso,
que alcançastes o teu impossível
e talvez neste tempo incerto
terás sossegado o alvoroço
deste espírito intrépido !
AC
Menino de faces sardentas, olhar desperto
inquieto e que a todos deixa alerta
ao nos abandonar tão atordoados
com as traquinagens que falas!
Ô menino que ninguém controla
a língua a boca os dentes!
Despejas a tua esperteza
a pressa dos pensamentos
mas tão depressa tão depressa
que nos larga perturbados
e dás nó na cabeça da gente!
Tu não esperas um minuto menino
pra sequer tomar fôlego e ar
antes de disparatar
o teu carrossel de astúcias
deixando teus pais adoidados!
Ô menino que não-para-quieto
Dai um minuto para nós menino
ô menino sabedor e versado
de um pouco em um muito tudo
e do tudo em um muito mais.
Ô menino sagaz, irriquieto,
quando bem velhinha for
e tu já um homem feito,
e ouvir sobre o homem-menino
que foi parar em Saturno e Plutão;
que nadou nas costas de mil golfinhos;
que inventou a máquina do tempo;
que deu nó em pingo d'água;
Saberei, menino travesso,
que alcançastes o teu impossível
e talvez neste tempo incerto
terás sossegado o alvoroço
deste espírito intrépido !
AC
sábado, 25 de julho de 2015
AS DAMAS
Damas desgovernadas dos seus destinos
que nada percebem, nada pressentem, nada provocam.
Não assimilam os amores que evocam
ou os pavores em trens descarrilhados.
Damas enclausuradas em suas preces
que em nada mentem, nada entendem e em nada tocam.
Não compartilham dos temores mais abstratos
ou das lembranças de loucos elos elocubrados.
Damas assim, tão vagarosamente inertes,
morrem na praia, vagam no abismo,
se pisoteiam e nem mesmo sentem!
Damas demais, de altos muros e olhos vendados,
só rezam em murmúrios, e nem com lamúrios
se arrefecem.
AC
que nada percebem, nada pressentem, nada provocam.
Não assimilam os amores que evocam
ou os pavores em trens descarrilhados.
Damas enclausuradas em suas preces
que em nada mentem, nada entendem e em nada tocam.
Não compartilham dos temores mais abstratos
ou das lembranças de loucos elos elocubrados.
Damas assim, tão vagarosamente inertes,
morrem na praia, vagam no abismo,
se pisoteiam e nem mesmo sentem!
Damas demais, de altos muros e olhos vendados,
só rezam em murmúrios, e nem com lamúrios
se arrefecem.
AC
MÓRULA

Belo fervilhar de rabichos mágicos
nadando na fonte da vida, leitosa,em busca do seu encontro ovular.
Os perseverantes chegam lá;
alguns jazem pelo caminho, pois toda luta de vida
é também uma luta contra a morte.
O sol exuberante e majestoso está no caminho,
fervilhante, exalando suas exaltações químicas.
Atraem os pequenos girinos ao seu encontro
para saciar-se neste conjunção amorosa.
Ao que consegue entrar,
fundindo-se com seu beijo fatal
segue-se o milagre teatral:
pares unem-se, siameses;
e neste coito íntimo de encontros
e arrumações, você acontece.
O que não havia, há um segundo atrás,
passa a existir, como num passe mágico e sublime.
Como pode então tudo se orquestrar
magistralmente ? Pois os pequenos encaixes
mandam e desmandam, formam e reformam,
nesta producente arrumação da vida.
Tudo ao seu lugar.
E logo um serão dois, quatro, dez, mil.
E ali está, subitamente, quase todo o destino;
ali está o amor, a alegria, a fome,
a tristeza, o choro, a preguiça,
a incerteza, o suor, o frio,
as angústias, as decepções,
a beleza, a agonia, a tolerância,
a paciência, a irritação, o sono
e quem sabe, até, o último dia está gravado,
o último suspiro já venha gravado,
no primeiro suspiro do magnífico despertar.
AC
sexta-feira, 24 de julho de 2015
PALAVRAS PERDIDAS
É tão difícil
Verte-lhes, palavras,
Diante
da frieza inútil
com que o mundo as recebe.
Tão despossuídas de si mesmas
Tão esvaziadas em suas essências
são as pessoas.
É tão triste,
Desperdiçar-lhes, palavras,
Pequenas pedras preciosas
de ritmo, precisão e
beleza.
Mas ainda restam
Os que as contemplam
Os que as respeitam
Os que as acolhem
Como um pai que, cuidadoso,
rega o jardim de sua vida
depositando-lhe pequenas sementes
de ousadia e liberdade.
AC
Verte-lhes, palavras,
Diante
da frieza inútil
com que o mundo as recebe.
Tão despossuídas de si mesmas
Tão esvaziadas em suas essências
são as pessoas.
É tão triste,
Desperdiçar-lhes, palavras,
Pequenas pedras preciosas
de ritmo, precisão e
beleza.
Mas ainda restam
Os que as contemplam
Os que as respeitam
Os que as acolhem
Como um pai que, cuidadoso,
rega o jardim de sua vida
depositando-lhe pequenas sementes
de ousadia e liberdade.
AC
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