De tanto te esperar,
meu coração congelou-seminha alma azedou.
Meu olhar sobre a vida é nu e cru;
faz parte das tristezas
se desgarrar das tabuas ilusórias da salvação.
Faz parte da vida enfrentar o sofrimento;
por maior que o concebamos, por mais intransponível
que pareça ser.
No final, acho que de alguma forma, todos sobrevivemos.
Na rotina que tudo minimiza,
no tempo que tudo seca
pois há a hora da frutificação
e a hora da despedida da colheita.
Dizer que não se teme o que virá
é contrariar a nossa tentativa-
tantas vezes vã-
de preservar a felicidade.
No meu caminho percorrido, onde,
nas palavras roubadas de um amigo, experimentei
momentos de infelicidade por um logo tempo,
descobri que a cura reside neste próprio mal:
a infelicidade machuca, é cruel,
mas é a chave que compulsoriamente
nos leva a tentar outro caminho,
o maior caminho que um ser humano pode desejar:
a leveza do espírito, enfim sob alguma forma de libertação.
Ana Carolina





