Total de visualizações de página

domingo, 15 de abril de 2012

FIM


De tanto te esperar,
meu coração congelou-se
minha alma azedou.
Meu olhar sobre a vida é nu e cru;
faz parte das tristezas
se desgarrar das tabuas ilusórias da salvação.
Faz parte da vida enfrentar o sofrimento;
por maior que o concebamos, por mais intransponível
que pareça ser.
No final, acho que de alguma forma, todos sobrevivemos.
Na rotina que tudo minimiza,
no tempo que tudo seca
pois há a hora da frutificação
e a hora da despedida da colheita.
Dizer que não se teme o que virá
é contrariar a nossa tentativa-
tantas vezes vã-
de preservar a felicidade.
No meu caminho percorrido, onde,
nas palavras roubadas de um amigo, experimentei
momentos de infelicidade por um logo tempo,
descobri que a cura reside neste próprio mal:
a infelicidade machuca, é cruel,
mas é a chave que compulsoriamente
nos leva a tentar outro caminho,
o maior caminho que um ser humano pode desejar:
a leveza do espírito, enfim sob alguma forma de libertação.
 
Ana Carolina




terça-feira, 3 de abril de 2012

CEGUEIRA


A felicidade não bate à minha porta.
Ela me espreita ao longe e zomba das minhas necessidades.
Posso viver sem ela, pois quando o dia é claro me distraio
com o calor quente e a movimentação das ruas,
e quando o dia é sombrio nada mais espelha
do que a minha própria e tenaz tristeza.
Tento levar adiante este projeto insano da vida,
seus símbolos sempre tão misteriosos,
todas as teorias que apontam para a existência incongruente.
Estou cheia do vazio, que é imenso e me ocupa por inteiro.
Me domina e possui não só meu corpo;
possui minha delicadeza, minha mocidade,
meus desejos pintados em mente.
Mesmo que não me visite com a frequência e a necessidade que tenho,
não posso permitir que o horizonte longínquo me cegue por completo.
Mas, confesso, é difícil enxergar em branco e preto,
aceitar as verdades que a vida ensina,
desejar seguir adiante.
As portas estão na maior parte do tempo abertas, escancaradas,
sem vergonha da devassidão das suas urgências afetivas.
Mas a felicidade, ainda que passe de soslaio,
nunca se sente confortável para entrar, sentar, bater um papo e brincar...


 AC




segunda-feira, 2 de abril de 2012

SONHOS DE VALSA



Os sonhos são feitos de algodão doce
papel laminado transparente
e açúcar virando calda em panela quente.

Os sonhos são doces por natureza,
róseos pelo encanto que premeditam
leves como a alma que passeia livre fora do corpo.

Os sonhos são os acalantos das músicas maternas
o amor puro e sem cobranças
as valsas que nos empurram gentilmente pelos grandes salões.

Os sonhos guardam a ternura e o encanto perdidos
na pressa da vida
na correria das ruas
no avançar rápido dos carros.

Os sonhos são o repouso da mente
as guloseimas sem culpas e as tentações desobedientes
e risonhas com as quais burlamos a vida.

Mas sonhos são sonhos e, doce quimera!
Que bom se fossem tão somente sempre a realidade!

AC