(Em homenagem à poeta Florbela Espanca)
Ai de mim que por tudo e tanto amo
Em todos e naqueles que ainda não encontrei
Nos dias de sóis azuis e doce sereno
Meu coração dispara em furacão e tormento.
Mas tu és, ó escolhido
Aquele por quem mais sofro, de tanto amar
Amo-te tanto corpo boca e mente
Que me recuso o ar, pois te respirarei
E sorverei teu calor dentro do meu corpo
Lançando-me ao ar em tua conquista
Como a gazela que salta, tão alto a vista
Que não mais se avista o salto que um dia dei
Pois me abri de paixão, pernas e braços
E em teu encalço, explosões estelares,
loucos em hospícios, também me internei;
Bebi do teu amor, e nunca me curei.
Esta cura, tão profana e desejada
é a procura insana, por onde minha vida salta
Aos abismos cósmicos da paixão retida
Que uma vez explodida, serei tudo e nada!
AC