
( para tia Iris)
Do meu colchão pequenino,
olhos as estrelas cadentes,pontos de luz mágica de criança
que piscam-piscam como vagalumes
na malha enorme de tecido acima.
Sinto-me tão estranha
e deslocada dentro de algo maior.Como se fora ali colocada
como uma boneca, um fetiche do destino,
marionete de mãos que escapam de mim.
Sinto as cordas bambas e pouco firmes
que me seguram mas não sustentam.Estou atrelada a um gigantesco enigma.
Mergulho na imensidão
que transborda deste céu prestes a cair.
Mas que nunca cai.
E estou então entranhada de luz.
Presa entre as cadeias da vida,viajante de uma odisseia infinita
pelo louco mar escuro e
inconcebível, que me avassala.
Tudo é tão assustador!
Pois o vácuo é o silêncio
e da minha cama pequenina,
na minha vida pequenina,
o que me mexe são as mãos
onipresentes do destino.
Lindas estelas que me deixam atônita
diante da minha pequenez,
flambadas em fulguroso calor
dentro da malha fria de tecido,
não me permitam vagar sozinha
e acompanhem-me através do tempo.
Que grandes mãos te equilibram,
prodigiosos fachos de energia
retidos na carapaça do Universo?
AC
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