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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

PESSOA DA PALAVRA

Tanto tanto as desejo!
Minhas relíquias veneráveis,
que ocultam o que tenho a revelar
e revelam o que tento esconder.
Minhas paixões desmedidas,
sem hora para sono ou cansaço,
acompanham-me na doce cavalgada
dos meus pensamentos.
Dos mais pueris aos mais raros.
Quanta energia despendo por vocês!
Em um ritmo frenético,
que por vezes me alucina
e que tantas vezes me acalma.
Aclamo-as porque as amo!
Minhas, só minhas, tão minhas!
Verto e me entrego à sensualidade
de seus sentidos, vagos ou muito precisos.
Amanheço em seus braços,
durmo em seus mil significados,
na abstração mais exata
que conseguem me conferir.
Mas o que mais nos aprisiona
- eu a vocês -
é a inexistência de uma acepção
moral, única ou assertiva.
O que mais me aprisiona
é a liberdade intensa e deliciosa
que me permitem sentir!

AC

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