Há um monstro vistoso, de vestes vermelhas,orelhas pontudas, andar sobranceiro,
com pele felpuda e finos artelhos.
De pouca audição porém faro aguçado,
de tortos olhares, tez dura e fria,
não ri, não sorri, é sempre calado.
De altura viril mas de porte acanhado,
percorre seu bosque, em busca de algo,
com fino olfato busca odor almiscarado.
Carrega na túnica pequenos tesouros,
um osso, um âmbar e pequeno cutelo,
pedrinhas com as quais caça incautos besouros.
Suas unhas tão fortes, grotescas as garras,
são grandes e imundas, se agarram às árvores;
se arrastam na lama e tendas amarram.
Os pés são duas patas, de passos compassos,
e o bosque é seu reino perdido e errante,
onde ele assusta mas também se sente assustado.
Os uivos e açoites de outros reinos distantes
acendem seus olhos, labaredas amarelas,
ele apressa o trotar, para paragens avantes.
De dia se esconde, não se sabe onde,
mas à noite, quando sai, é dono do seu reinado:
o bosque rendido às suas doces vontades.
A noite é seu guia em sua sina obtusa,
a lua o apavora mas também o fascina,
ele é medo e delicadeza em uma só criatura,
animal, homem, lobo, tristeza e amargura.
AC
NOTA DA AUTORA: O Grito,obra considerada a maior do pintor norueguês Munch, e uma das mais importantes do expressionismo,retrata a angústia e o desespero, inspirado nas decepções amorosas do artista quanto com seus amigos
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