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terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

O IRMÃO


                            (para meu irmão)


Quem serei eu de mim,

se me faltar você?

Quero alegria em seus olhos,

bênçãos em seus dias, 

chuva pra molhar, semente pra florir 

de tudo: amor, paz e sentimentos. 

Ar puro em seus pulmões,

medos aplacados e doçura.

Pedras pra sedimentar sua força,

força pra sedimentar seu espírito. 

Estou aqui, a lhe rondar como um anjo.

Guardar suas dores num pote de esconderijo

e simplesmente jogá-lo no mar

onde se afogam as tristezas.

Acorda e vem desfrutar!

Somente.


AC






segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

NA IMENSIDÃO

Nessa boca, um sorriso cálido. 

Um beijo displicente,

um canto espraiado

Na imensidão da gente. 


Nesses olhos, o mel de cor imprecisa

Um olhar tão renitente,

visão de anteparo, 

Na imensidão da gente. 


Nessa pele, o cheiro derretido 

O toque tão suave,

amor comprometido

Na imensidão que invade.


Nesse abraço, o tempo tão perdido 

Os dias tão macios

Sabor do paraíso, 

Na imensidão do ocaso.


AC




quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

MANHÃ

Me cubro de manhãs. 

Puxo o lençol rosa acetinado 

do céu purpúreo do amanhecer do dia. 

Nuvens - cirros e cúmulos- se espreguiçam 

pelo céu afora.

Chovem minúsculas gotas geladas 

repletas de água celestial.

O Universo se resume naquele momento, 

à todo alvorecer da Terra,

numa suspensão teimosa de outras existências.

E Deus se debruça sobre o vão desse infinito,

deslumbrado com sua própria criação. 

Trovões pequenos, minúsculos, 

raios infinitesimais,

ensaiam algum colorido eventual, 

pequenos vagalumes em espamos a brilhar

como lamparina.

E tudo é saboroso,  frio e adocicado.

Nesse raiar quase preguiçoso do sol,

a beleza que ofusca guarda igual simetria 

com o entardecimento das horas.

Como se fossem irmãos siameses,  isolados 

por alguma estranha magia,

no despertar e desligar do dia.


AC




domingo, 13 de fevereiro de 2022

SOU

 "Cá estou a escrever meus sentimentos,  pois nada sou além deles."


No amor, sofro vertigens,

Um pulsar quântico de alma,

Onde o coração se dilata,

Repleto de êxtases benditos 


Seus olhos me remetem ao caos

Aos desraciocínio; e seu corpo

Ao desrecato,

Eu desejo desertar para seus braços.


Vivo sob sua pele, 

Seu cheiro traz o vício de drogas

apaixonadas.

Cérebro em espiral de expansão 


E me sinto tão feliz, mas tão feliz,

Que o medo que a tudo persegue,

Se esconde, de medo,

Quando em seu beijo,

sua língua a minha alma invade.


AC


 






sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

TRAVESSIA

Onde estou, quando te quero?


Na flor do teu sorriso,

No repouso dos teus braços, 

No acalento das noites despertas.


Quero-te aqui e agora.

E ontem e anteontem 

Quando nem te conhecia.


Quero tua pele macia,

As pétalas todas abertas

E de todo amor, o regozijo. 


Quero-te na minha rua ou na tua

Em qualquer endereço perdido onde

Teu beijo me couber.


E assim vou ao teu encontro,

Para onde o destino levar,  

De onde o desatino vier.


Porquê quando estou, é que mais quero.


AC











terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

LINDA MOÇA


                      (para minha mãe)


A moça linda na frente do quadro,

quem és tu, moça tão linda?

Alma encarnada em doce de ambrosia,

ternura em forma de gente, 

meu aprendizado de amar.


Meu templo cheio de maternidades,

tristeza em forma de criança, 

pronta pra repousar em meu colo.


Como eu te admiro, moça linda,

e desejaria a ti toda e única 

felicidade desse mundo.


A ausência completa de dores e

tão somente uma repleção

satisfeita de gentis ardores.


Como eu queria nascer antes de ti,

pra te contar de toda tua santa formosura,   

reinado de inteligência e aptidões. 


Assim, faria o mundo recurvar-se a ti,

numa intensidade sonora e colorida

de muitos amores, muitos amores, 

muitos amores.


AC




quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

AUTORRETRATO


    " Ninguém lembrará de ti, pelos teus pensamentos secretos "



Vivo a me desculpar 

Pois não é dado a ninguém entender

a não linearidade do meu pensamento. 


Minhas fúteis contradições,

meu amor de mãe extremado,

o tempo singular, parado no agora.


A ausência de medo onde habito,

ímpetos de intensidade que me possuem,

tubos de ensaio de loucuras. 


Poemas ocultos repousam em mim,

adormecidos,  à espera do despertar. 

Eu não os tenho; simplesmente,

psicografo-os.


Dentro do pensamento vai a desordem, 

rebanho aleatória de vontades,

e na língua,  na ponta da língua,

a palavra solta, avessa, e pronta 

pra ser redigida.


AC


DIZ

Diz-me das tuas entregas, 

Dos teus recalques, de onde a solidão 

fala por ti.


Diz-me de teus sonhos todos pintados de rosa

Das flores que tu semeaste, qual pretendes a-colher


Diz-me da tua própria floração; pele renovada

que tenta deixar para trás tuas próprias 

amarguras

 

Diz-me qual vinho tu és;

Da safra das uvas íntimas e doces,

colheita de uvas desejadas


Entendo que só se é 

o que se é; o que se diz,

visualiza ou contempla. 


E o que se deve ser dito

é quase um suicídio insano de se fazer ver

tão claramente, 

admirável coragem de espírito. 



AC