Total de visualizações de página

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

A ABELHA

fomos todos picados por ti
que não trouxe o mel da doçura

do teu ferrão desceu a dor

gigante, da inocência perdida

do tempo em que éramos felizes


trouxeste na barriga teu fel

e no açúcar, teu mal

fizeste mal à minha filha


e eu te prendi, pequena abelha,

na minha pele
a picar-me eternamente

eternamente condenada a me picar e me picar

e a destilar em mim
toda a sordidez da tua doença.

AC




LIBERDADE

Eu me vi livre no espaço
Mas sou puro entendimento
Incompreendido de forma errada

Eu achei que poderia

visitar meus barcos naufragados
Mas me vi presa nas ilhas onde
outros retém seus tesouros

Eu tentei ser 

a mulher que meu tempo clamava
Mas me vi cercada de contradições
em um mundo falso de pessoas 
que sequer sabem de si

Me ditaram regras,

me impuseram amarras,
me vestiram à força
com o vestido mudo, branco, das loucuras

Calaram minha boca

embora nunca minha alma!

Todas elas, estas loucuras

eu vivi
Dos outros, as minhas,
dos que nunca sequer convivi
Dos que se deitaram em minha cama
sem nunca ser convidados

Eu andei por vários caminhos

e atalhos se perderam de vista
e atearam fogo às minhas vestes
(pessoas presas nas maldades 
deos que não conseguem ser feliz)

Ei vi as contradições e sim,

as maldades, as maldades!
A vilania e o mau querer,
mas nunca desprendi o amor 
que ainda carrego em mim.

Eu continuo me jogando no espaço

onde não há tempo premeditado,
onde todo dia se morre e se nasce,
se perde e se acha,
na conspiração plena da vida.

AC