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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

DESOLAÇÃO

                    ( texto)

Não estou viva nem morta.
Vagueio na suspensão do ar, jogada ao acaso do vácuo, no limite da finitude das coisas e onde não existe mais tempo.
O tempo parou, o relógio está quebrado há dias naquela triste e derradeira hora.
O chão que piso tem agora um tato diferente. Os cheiros não me atraem e meu sorriso congelou-se em um semicerrar de dentes.
Não há calor dentro de mim, talvez um pouco de frio. Como se meus órgãos tivessem deixado de funcionar, o coração parado de bater.
Minhas pernas sustentam-se firmes e vigorosas, só que não sabem para onde ir. Não há luz que guie meus olhos ou tambores vibrantes tocando alegria em meus ouvidos.
Sou um misto de tristeza, ocaso, complacência e aceitação. Minha mente não questiona mais os acontecimentos, somente os vêem de fora, como se deles nem participasse.
Os fatos passam ao largo e ao longe  mas ainda não sei como nem porque, me atingem e então eu sinto a dor.
Mais um ciclo de vida se fecha, encerrado com eles sonhos alegrias, esperanças e emoções antigas. Fica  agora o vazio, o meio estado entre o viver e o não viver, entre o querer e o não querer. É o nada, afinal.

AC


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