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segunda-feira, 4 de junho de 2018

MINHA

Tu virastes, mansa,
a ronronar a tristeza da tua ossatura em mim.
Minha pequena bela companhia

Haverá ser mais doce que ti?
Eu tanto quis amar-te
Que te levaram de mim...

Os anjos bons em espírito
Aqueles que só precocemente
enlevam os seres bons

Tu me olhastes com teus olhos meigos,
frágeis em tua doença
tristes em tua delicadeza

Eu ouço a tua ressonância,
Eu ainda a vejo pela casa,
Eu ainda a abraço longamente

Em nosso adeus de partida.

Perdoa por tê-la deixado ir.

AC








LIBERDADE II

eu só quero a liberdade, ainda que tardia
eu quero o constrangimento da alforria

eu quero saber que fui sedada
mas acordei do pesadelo incompreensível

eu fugi à tempo de ti,
oh monstro cruel!
eu te matei dentro de mim,
oh dor insuportável!

eu quero o gozo de não mais olhar pra ti
esquecerei o quanto um dia, e tanto! eu morri

eu quero entender que cruzei o limite
do mal que existia em tudo que sentias

eu carreguei tua cruz tempo demais
mas sou livre agora, e nada mais

não mais ditarás os meus dias
eu assinei a carta da minha! alforria

eu me joguei à tempo,
oh monstro cruel!
antes que me engolistes por inteiro,
oh monstro traiçoeiro!

de toda sordidez dos teus vis atos
levastes até mesmo meu abandono,
mas refugiei a paz dos teus assaltos;
fugi eterna de ti, virei meu dono.


AC






segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

A ABELHA

fomos todos picados por ti
que não trouxe o mel da doçura

do teu ferrão desceu a dor

gigante, da inocência perdida

do tempo em que éramos felizes


trouxeste na barriga teu fel

e no açúcar, teu mal

fizeste mal à minha filha


e eu te prendi, pequena abelha,

na minha pele
a picar-me eternamente

eternamente condenada a me picar e me picar

e a destilar em mim
toda a sordidez da tua doença.

AC




LIBERDADE

Eu me vi livre no espaço
Mas sou puro entendimento
Incompreendido de forma errada

Eu achei que poderia

visitar meus barcos naufragados
Mas me vi presa nas ilhas onde
outros retém seus tesouros

Eu tentei ser 

a mulher que meu tempo clamava
Mas me vi cercada de contradições
em um mundo falso de pessoas 
que sequer sabem de si

Me ditaram regras,

me impuseram amarras,
me vestiram à força
com o vestido mudo, branco, das loucuras

Calaram minha boca

embora nunca minha alma!

Todas elas, estas loucuras

eu vivi
Dos outros, as minhas,
dos que nunca sequer convivi
Dos que se deitaram em minha cama
sem nunca ser convidados

Eu andei por vários caminhos

e atalhos se perderam de vista
e atearam fogo às minhas vestes
(pessoas presas nas maldades 
deos que não conseguem ser feliz)

Ei vi as contradições e sim,

as maldades, as maldades!
A vilania e o mau querer,
mas nunca desprendi o amor 
que ainda carrego em mim.

Eu continuo me jogando no espaço

onde não há tempo premeditado,
onde todo dia se morre e se nasce,
se perde e se acha,
na conspiração plena da vida.

AC