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terça-feira, 23 de julho de 2013

"A ALMA IMORAL"

         
         (baseada em peça homônima)

Então a alma imoral apossou-se de mim.
Tão lucidamente esclarecida,
afastada de domínios e sem necessitar de fé,
de súbito, eu compreendi.
Que ela está lá, está aqui,
tornando óbvios os desígnios,
nítidas as necessidades,
claras as visões.
Esta compreensão é tão natural
que pasmo, seja possível-
dela já não tenha
antes alguém se inquirido!
Que se o corpo reflete algum princípio,
a alma reflete cruas inquisições,
abrangência de sentidos
submersos, em lagos de subversões.
A alma impera onde tudo é permitido;
e se não o é, passa a ser
a verdade das loucuras célebres,
a coragem da nudez proscrita,
os mapas dos encontros predestinados.

A alma é o escárnio sem culpa
e a vergonha deliberadamente exposta.

Antes de tudo que a consciência exercita:
amar, obedecer, crer, realizar,
contemplar, verbalizar,ofertar ou receber...
... urge saber-se absolvido em uma alma assim.

AC


sexta-feira, 19 de julho de 2013

AQUELA QUE VEM

A companheira dos meus doces sonhos,
veste-se com fino brocado,
tem pentes de marfim presos à cabeça
e dorme fugidia seu arrastado sono

A companheira que vem visitar-me
Está muito arrumada, sempre.
Nas faces róseos rouges desvarios
Abre-me os longos braços a acalentar-me

A companheira que me acaricia o ombro
resguarda-se do frio com tricô aveludado
e tem dentes talhados em ouro,
tão rica tão forte que dá até assombro

Mas ela quer-me bem, tão cheia de bondade,
que me cobre de acalantos ao transbordar-se inteira,
assim, sem medo e cheia de coragem,
tão minha companheira é a tenaz saudade.

AC 



quinta-feira, 18 de julho de 2013

A PRAIA

Você me remete ao mar
E a brisa fresca e doce do final da tarde
envolve meu corpo deitado, como se fossem
delicadas carícias suas.
A areia me encobre com uma fina camada de quartzo
e estou protegida.
O sol do final da tarde sutilmente me aquece
como se seu corpo ali estivesse,
ao lado do meu.
O tempo é fresco, a tarde é quieta;
pode-se sentir paz.
Continuo enamorada, mesmo
com a distância além-mar
e a dilatação do tempo.
Minha boca seca pode sentir seus lábios umedecidos.
Minha mente triste descansa seus temores
na longínqua linha do horizonte.
Você, tão longe, ainda está aqui.

Eu olho ao mar ,
e me remeto a você.

AC 

quinta-feira, 4 de julho de 2013

LEMBRANÇAS

Hoje voltei a ti,
saudade pura em poesia...
Há tempos ando afastada,
mas o vício percorre minhas veias.
Os tempos andam difíceis,
e tu, como estás minha poeta?
Encolhida em teu canto de escrita,
a rabiscar sobre rosas,
os segundos de tuas filhas que voam
mais alto e rápido que os teus!
Saudade, palavra boa,
Saudade, palavra eterna,
da minha boca para teu coração,
da minha linha para tua página,
dos meus contos pros sentimentos,
desvãos intensos de liberdade.

Há tempos lembro de ti,
poeta que escondo em minh'alma!
amável subterfúgio!

AC