Ela era muito nova, e gostava de tessituras.
Gostava das peças brancas de algodão estendidas no varal, dos lenços de linho empilhados sobre a mesa, do veludo amornado pelo calor da lareira.
Gostava dos livros equilibrados em estantes variadas, das cortinas de saias volumosas, dos tapetes puídos e já não tão mais vistosos.
Gostava dos vestidos bem estruturados, recortados e moldados em finas cinturas, das presilhas a sustentar curvas de cabelo claro, e do cheiro amanhecido das colônias de maçã.
Gostava do café, recente ou requentado.
Gostava da luz forte a arrebartar-se pelo vão da sala, a luz das manhãs quentes e bem esclarecidas.
Gostava das conversas das moças na outra sala, da trama do crochet entrelaçado, do barulho ordenado da máquina de costura.
Encantava-lhe o molejo lento do ponteiro dos minutos perseguindo as horas.
Gostava da doçura derretida pela boca, molemente, quando os sequilhos se dissolviam lentamente na saliva.
Gostava das suas curvas delicadas e deslumbrava-lhe sobretudo, os seios, duas pequenas conchas de amor a embelezar-lhe o torax.
Ela era tão moça, e gostava tanto dos gestos, formas, sons, modos e palavras, feições, relevos e melancolias, e das alegrias a fustigar-lhe a alma.
E o café, ah! Como o amava.
AC