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segunda-feira, 25 de março de 2013

MACHU PICCHU

                        (para André Furtado)


No centro do vale, perfeições inacabadas.
Os homens não estão mais ali.
No alto da colina: O FRIO A FEBRE A NEBLINA.
O condor voa mais alto,
o puma é ágil em seu salto;
a serpente te escolhe em teu enigma:
Diga-me, para que tu virás?
Eu vi quase uma miragem em meus olhos;
Na paisagem cheia de feições antigas,
maravilhosa miragem!
No alto da colina, O VERDE O VELHO A VERDADE.
O condor está acima,
o puma é cauda sem crina;
a serpente te paralisa tal qual esfinge:
Diga-me, em que acreditarás?
Eu vi o impossível em minha retina:
retida, aberta, na imensidão!
Na paisagem das feições antigas
das maravilhosas miragens....
Eu olhei através do mirante e vi.
Leveza e tonelada,
Frescor e onipotência,
Medo e felicidade,
Inquietude e admissão,
Perseverança e premência 
Soberba e maestria,
Tempo e espaço,
Terra e submissão,
Caminhar e passo.

Certeza absoluta.
Possibilidade infinita.
Verdade e urgência.

Então vi mais que um deus:
eu vi o homem.

AC




sexta-feira, 1 de março de 2013

QUE ROSAS?


As rosas que esperem por mim
pois eu cansei de esperá-las.
Tanto as canto em poesias,
fascinada em existir algo tão belo.
Do recorte ao odor,
a incandescente flor,
forte ao tempo em que é singela.
Desejo as pétalas retorcidas
que não se oferecem, recolhidas.
(Desabrochadas, ainda estão escondidas).
Expandem-se no aroma sutil,
nas mãos tem-se o toque acetinado.
As santas rosas vermelhas,
ruivas de paixão, flores orgulhosas.
No porte garboso, não há recalques
nem medo em se mostrar tão bela.
Mas porquê os espinhos?
Melindrosos caminhos
desta flora paradoxal
ao lancetar a mão que procura carinho!
Seria o retrato da vida real?
(Beleza e dor em um só pergaminho).

Oh rosas afáveis,
passo a vida a procurá-las
neste endeusamento de virtudes.
Mas canso de esperá-las,
nos anseios e ilusões
do meu jardim de finitudes.

AC