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quarta-feira, 23 de abril de 2014

AVATARES

O mundo ousa demais em deixar-me perplexa.
Não teme que dê-lhe as costas?
Se a vida é tão preciosa,
porquê me faz entender o sentido da morte?
Dou de ombros à finitude.
É necessária a passagem para o nada
uma vez que não compreendemos o presente.
Inconscientes da própria beleza,
vagamos nos dias como tolos macacos.
Enjaulados em bobagens proscritas,
música desafinada e pouco encanto.
E obedecemos aos falsos profetas,
aos deuses loucos e às psicopatias.

Doentes somos, da necessidade de parecermos humanos.

terça-feira, 22 de abril de 2014

TANTO TEMPO


Estendi o pano dos meus desejos
no pátio verde à beira do lago.
Já se faz tempo...
Já nem sei o que mais sinto...
Quis debruçar-me ali, junto a ti.
Dar-te o beijo proibido.
Quis abrir a porta do quarto 
e resvalar minha nudez em teu colo.
Carregava um fado antigo,
uma procissão de palavras,
um sussurrar de mendigo.
Já se vai o tempo...
E talvez a beleza de outrora.
Quis encostar-lhe gentil, 
perna em perna,
em um simples toque 
repleto de atrevimento.
Na ousadia livre da minha entrega,
tantas vezes transpus as barreiras,
todas elas, e me detive em teu caminho.
Fugi para o teu colo,
fogo do meu pensamento.

Mas faz tanto tempo.

AC