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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

INTERLÚDIO

Das noites, não sei mais que seu silêncio.
Não sei mais que suas luzes bruxuleantes,
em rival disputa com as luzes estelares.
A noite guarda um mistério em
seu silêncio pretendido,
em seu sono premeditado.
Os insones vagam neste vácuo de tempo
com a desenvoltura de quem conhece
os espaços perdidos da nossa mente
entre sonhos e sonambulismos.
Mas a noite, esta distinta dama
de discretos e elegantes modos,
não revela também os seus segredos:
o delírio amoroso dos amantes,
a rotina trivial de uma casa a adormecer.
O dia é amplo, como é amplo o dia!
A noite parece uma curta e brevíssima
brecha do tempo, por onde escorregamos
e que nos promete uma janela para o desconhecido,
um salto para o abismo,
um passeio surreal pela vastidão do universo.
O universo inteiro cabe na noite de cada um de nós!


AC

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