" O olhar indiferente é um perpétuo adeus.
Malcolm de Chazal"
Eu guardo em mim a gentileza dos fortes
Eu sou o portentoso navio que segue
no mar tormentoso da tristeza
Eu sou a águia que enxerga além
dos alheios voos comezinhos
Eu me mantenho digna perante as indiferenças
Eu recrio meu sorriso cada vez
que em minha alma sou levada pela aflição
Eu consigo me manter de pé apesar
dos fragmentos de felicidade
Eu vivo cada dia com dois imensos corações
no peito
E quando o meu coração está cansado,
ritmo oscilante, esse grande amor
me retroalimenta
Eu finjo a coragem dos que necessitam
passar pelos trovões de resistência
Eu enfraqueço a dor com a certeza
de que a vida, maior e melhor que mim,
prosseguirá.
Eu, tantas vezes pequenina,
tantas vezes sozinha,
frágil e perdida...
resgato, de alguma forma,
de alguma sorte,
em alguma vida,
em algum sentido,
o que preciso para ir...além.
AC
Leia! Há de ter a sensibilidade necessária e talvez até paciência para entender as linhas ou as entrelinhas. Há de ser puro de coração, para permitir que a poesia ou o texto o invada. Tal qual um aroma, você pode senti-lo, sorvê-lo, inundar-se, e pode até tocar as palavras, seduzindo-se pelas infinitas possibilidades de interpretações e beleza. Quisera todos tivessem a mente aberta e o espírito livre para isso!
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domingo, 29 de novembro de 2015
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
DO QUE SEI
Tristeza
Devota companheira
Não ouso
te denegrir
Pois embalas ternamente
em teu colo
a minha fragilidade
em existir.
AC
Devota companheira
Não ouso
te denegrir
Pois embalas ternamente
em teu colo
a minha fragilidade
em existir.
AC
SOBRENOME OU PASSAGEM
Há algo de incômodo no Teixeira Gomes
Algo que me remonta
ao pai ausente,
à infância sem irmãs.
E quando penso no Teixeira Gomes,
tenho gravado em mente
aquela cena do final da tarde de 1979.
Você, nunca presente,
estacionou do outro lado da rua.
Veio ao meu encontro se despedir
- da partida inerente.
Que sabe uma criança
da separação dos pais?
Pois nada senti, mas aquela cena,
dormente,
repousa viva na minha memória.
Uma das poucas vezes em que vi
que você, olhos marejados,
olhos de mar, talvez se importasse
com a criança que deixou ali.
(Pra sempre).
AC
Algo que me remonta
ao pai ausente,
à infância sem irmãs.
E quando penso no Teixeira Gomes,
tenho gravado em mente
aquela cena do final da tarde de 1979.
Você, nunca presente,
estacionou do outro lado da rua.
Veio ao meu encontro se despedir
- da partida inerente.
Que sabe uma criança
da separação dos pais?
Pois nada senti, mas aquela cena,
dormente,
repousa viva na minha memória.
Uma das poucas vezes em que vi
que você, olhos marejados,
olhos de mar, talvez se importasse
com a criança que deixou ali.
(Pra sempre).
AC
terça-feira, 24 de novembro de 2015
O RETRATO DE UM ÁLBUM
Eu vi a mim aos 22 anos.
O que ali vi?
Rendida em pura inocência
daquelas em que já não se acredita.
Que sabia eu dali?
Em meus breves 22 anos?
Do mundo só depois entendi
a aspereza.
Eu olhei meus próprios olhos
Vi meus sonhos então não vividos
e que ainda não vivi.
Eu vi brilho nos meus olhos
que parecem ainda mais negros que
os meus olhos menos negros hoje.
Eu vi um sorriso vendido, de tão fácil,
expandido
na alegria pueril de quando se é jovem.
Meus sorrisos hoje
são todos premeditados.
Eu vi meu futuro doce
a me esperar,
paciente na lentidão do tempo
de quando se tem 22 anos.
Eu não sabia que de tudo
que ali não concebi, menos ainda teria;
ou menos ainda faria,
pois vejo que muito pouco fiz.
E vem assim essa certidão
de que uma vez nascida então não cresci.
Porque meus sonhos ficaram tão escondidos
nos retratos doces dos meus 22 anos
que se da vida colhi dois amores: minhas filhas,
de resto, empalideci.
AC
O que ali vi?
Rendida em pura inocência
daquelas em que já não se acredita.
Que sabia eu dali?
Em meus breves 22 anos?
Do mundo só depois entendi
a aspereza.
Eu olhei meus próprios olhos
Vi meus sonhos então não vividos
e que ainda não vivi.
Eu vi brilho nos meus olhos
que parecem ainda mais negros que
os meus olhos menos negros hoje.
Eu vi um sorriso vendido, de tão fácil,
expandido
na alegria pueril de quando se é jovem.
Meus sorrisos hoje
são todos premeditados.
Eu vi meu futuro doce
a me esperar,
paciente na lentidão do tempo
de quando se tem 22 anos.
Eu não sabia que de tudo
que ali não concebi, menos ainda teria;
ou menos ainda faria,
pois vejo que muito pouco fiz.
E vem assim essa certidão
de que uma vez nascida então não cresci.
Porque meus sonhos ficaram tão escondidos
nos retratos doces dos meus 22 anos
que se da vida colhi dois amores: minhas filhas,
de resto, empalideci.
AC
MIA
Gatinha do pelo dourado
Potinho de pelo aveludado!
Mia, miau!
Minha terceira menina,
dona do seu pequeno mundo
de duzentos metros quadrados.
Aqui reina a patinha,
a suave lambida da língua,
a cauda alegre entretida
faceiramente felina!
Como é doce e difícil a vida
da gatinha ruiva escondida,
atrás da mesa de jantar,
miau pra lá e pra cá.
Minha doce gatinha linda
mas tão meiga e feminina
que de todas que já tive
reinas como a preferida!
O focinho que beija minha face;
gelado, malhado, molhado
A barriga que me ofereces
em tal lânguida entrega
que tua dona assim merece.
Gatinha do meu coração
Gatinha da minha família.
,
Miaqui , miali, miau!
AC
Potinho de pelo aveludado!
Mia, miau!
Minha terceira menina,
dona do seu pequeno mundo
de duzentos metros quadrados.
Aqui reina a patinha,
a suave lambida da língua,
a cauda alegre entretida
faceiramente felina!
Como é doce e difícil a vida
da gatinha ruiva escondida,
atrás da mesa de jantar,
miau pra lá e pra cá.
Minha doce gatinha linda
mas tão meiga e feminina
que de todas que já tive
reinas como a preferida!
O focinho que beija minha face;
gelado, malhado, molhado
A barriga que me ofereces
em tal lânguida entrega
que tua dona assim merece.
Gatinha do meu coração
Gatinha da minha família.
,
Miaqui , miali, miau!
AC
O GREGO
O médico.
A solidão fria do consultório
A imprecisão diagnóstica
do tato sem amor,
tal odor sem olfato.
O desumano.
Que há em mim e em ti
revelado nos olhos cansados,
perante ombros resvalados
a esmiuçar dor tão errante.
A dor.
A que aproxima e repele
a nossa mortalidade
O médico está acima do homem
ou consome sua vitalidade?
O que há dentro?
Tantos órgãos... ou sonhos?
Tantas doenças... ou medos?
Indecisões.. ou arremedos?
A cura da alma
ou o remédio que acalma?
(O coração, que bate resistente,
no peito almeja simplesmente
o ritmo pulsante, vivo e quente....
.... do amor.)
AC
A solidão fria do consultório
A imprecisão diagnóstica
do tato sem amor,
tal odor sem olfato.
O desumano.
Que há em mim e em ti
revelado nos olhos cansados,
perante ombros resvalados
a esmiuçar dor tão errante.
A dor.
A que aproxima e repele
a nossa mortalidade
O médico está acima do homem
ou consome sua vitalidade?
O que há dentro?
Tantos órgãos... ou sonhos?
Tantas doenças... ou medos?
Indecisões.. ou arremedos?
A cura da alma
ou o remédio que acalma?
(O coração, que bate resistente,
no peito almeja simplesmente
o ritmo pulsante, vivo e quente....
.... do amor.)
AC
domingo, 22 de novembro de 2015
O FIM
E quando o mundo acabar
encontrarão,
deixado dos escombros,
sonhos perdidos,
debaixo das pedras,
dores e suspiros,
debaixo das ruínas,
lágrimas e ruídos
atrás dos destroços,
almas destruídas,
entre lama e lixo,
corações partidos
debaixo das escadas,
gritos e gemidos.
E encontrarão
canções, verdades, mentiras,
palavras soltas, provocações,
miséria, doença, saúde
e alegrias pequenas ou desmedidas.
Mistérios, agruras, interesses vis,
gentilezas, maldades, cores,
destinos, justificativas,
incompreensões, aflições,
brigas, ódios extremos,
ódios medianos, rusgas,
boas e má intenções.
Rotinas mudas, resiliências,
cansaço, loucuras, egos,
impaciências e assentimentos.
Quando tudo acabar,
o mundo, palco árido e sem sentido,
vigia do teatro da vida,
observador contumaz e passivo...
deixará ao léu, em cada nicho
o suspiro do que um dia ocorreu.
E talvez quem sabe encontrarão
mais do que o meu infortúnio,
jazendo sob a vala encoberta,
meu tímido e verdadeiro sorriso.
AC
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