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terça-feira, 31 de dezembro de 2024

ADERNAR


Sou mais feliz perto das ondas

Onde sinto adernar o meu espírito 

Na brisa suave que no mar ronda

Na vontade de me recolher no teu sorriso


Nesse olhar doce, amor gentil

Que meu corpo tanto pede e necessita

Quero morar eternamente, dias a fio

Em você, meu mar, corpo infinito


E eu, passageira desse desafio 

De amar-te ao mar o amor bendito 

Das ondas do amar, mar fugidio


Em ti acalmarei o temor arredio 

Em ondas verterei o amor não dito

Mar do meu amar, medo proscrito.


AC

sábado, 2 de novembro de 2024

MARÉS


Assim tenho a beleza desse dia.

Na brisa do céu fresco, alargado,

encontro do mar com o horizonte, 

mistura de azuis esverdeados.


Teus barcos, que levam o amor, 

Saudades e canções embaladas 

nessas doces ondas, que são 

dos mares, os azuis respirados.


E brotam azuis em mais azuis

de refúgio e silêncio morno da alma.

No mar, no céu,  nas ondas, meu eu:

A dor que em mim se desarma.


AC

sexta-feira, 24 de maio de 2024

A LUZ FALSA DA LUA


Você foi como a lua,

com tua face desconhecida,

me prometendo afetos ligeiros, 

rasos e fugazes...

E eu quis te dar o meu céu,

para você desfilar inteiro.

Te dei meu leal firmamento,

e até acreditei na beleza

da tua melancolia.

Me valia das tuas palavras

e do teu comprometimento. 

Te dei muitos versos formosos,

extraídos em pura alegria.

Mas sorte ruim, a minha,

a desse vagar incerto,

no deserto do teu céu sem coragem, 

confuso, furtivo e fugidio.


Que essa luz nunca seria tua,

pois no céu a lua reluz,

somente do sol, o reflexo. 


AC




quarta-feira, 22 de maio de 2024

POEMINHA


Deixei você ali,

escondidinho,

na dobradura do papel,

esperando o afeto chegar pra te desembrulhar,

mostrar ao mundo,

como um bebê antes da concepção,

cujo ninho de amor já existe,

desejoso de lhe acalentar proteção, 

existência e plenitude.


Pois sim.

Fiz isso com você,

pequeno poeminha adormecido 

na folha de papel.


AC

sábado, 3 de fevereiro de 2024

TESSITURA


Ela era muito nova, e gostava de tessituras.

Gostava das peças brancas de algodão estendidas no varal, dos lenços de linho empilhados sobre a mesa, do veludo amornado pelo calor da lareira.

Gostava dos livros equilibrados em estantes variadas, das cortinas de saias volumosas, dos tapetes puídos e já não tão mais vistosos.

Gostava dos vestidos bem estruturados, recortados e moldados em finas cinturas, das presilhas a sustentar curvas de cabelo claro, e do cheiro amanhecido das colônias de maçã. 

Gostava do café,  recente ou requentado. 

Gostava da luz forte a arrebartar-se pelo vão da sala, a luz das manhãs quentes e bem esclarecidas.

Gostava das conversas das moças na outra sala, da trama do crochet entrelaçado, do barulho ordenado da máquina de costura.

Encantava-lhe o molejo lento do ponteiro dos minutos perseguindo as horas.

Gostava da doçura derretida pela boca, molemente, quando os sequilhos se dissolviam lentamente na saliva.

Gostava das suas curvas delicadas e deslumbrava-lhe sobretudo, os seios, duas pequenas conchas de amor a embelezar-lhe o torax. 

Ela era tão moça,  e gostava tanto dos gestos, formas, sons, modos e palavras, feições, relevos e melancolias, e das alegrias a fustigar-lhe a alma.

E o café, ah!  Como o amava.


AC