Mora ali o meu medo.
Na esquina de todas as ruas,
nos endereços múltiplos em que já vivi.
Na calada (surda) da noite,
quando acordo em espanto
pelos fantasmas que vêm me visitar.
Nos destinos inseguros
ou nos dias insatisfeitos,
surgem como palavras abafadas.
Numa repetição de crendices
onde reside a desesperança,
mãe de todos os ceticismos.
Paira ali no ar, o medo,
como nuvem num céu muito azulado,
ou concha de mar partida.
Recolhida a um canto escuro,
a sorte se faz tão ausente,
nesse tolo acalanto repetitivo.
AC