No tempo escasso
resgato o espaço
doce, espaço
Para as palavras amadas.
Sou ser sem compasso
sem elas, as palavras
doces, palavras
Verdades absolutas.
Alheias ao cansaço.
AC
Leia! Há de ter a sensibilidade necessária e talvez até paciência para entender as linhas ou as entrelinhas. Há de ser puro de coração, para permitir que a poesia ou o texto o invada. Tal qual um aroma, você pode senti-lo, sorvê-lo, inundar-se, e pode até tocar as palavras, seduzindo-se pelas infinitas possibilidades de interpretações e beleza. Quisera todos tivessem a mente aberta e o espírito livre para isso!
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quinta-feira, 27 de novembro de 2014
sexta-feira, 20 de junho de 2014
EU CONTEMPLO
Calado, curioso, confuso,
perscruto os teus pensamentos,
resposta aos meus sentimentos.
Não sei se sei o que quero,
o que devo, posso, o que peço.
Eu te fantasio.
Reviro tua alma ao avesso
tento encontrar um enigma,
mistério que eu mesmo alimento.
Não sei o que tenho,
o que parece, se esconde, tateio.
Tento adivinhar.
Desvendar significados,
ambição do meu espírito inquieto
a procurar um dolo, um culpado.
Não sei bem o que me move,
o que remove, reflito, rumino.
Eu tento ver pelos teus olhos,
te cerco com minhas pesquisas,
resgato supostos antolhos.
Vivo a vida ou o que é ilusório?
(Mas...
Não tentes revelar devaneios
nem te mortifiques com tantos apelos.
Deixas calar o alheio.
Que são sonhos senão
os últimos refúgios da alma?
Agentes das transgressões
mais libertárias.
Os minutos mais íntimos
da tua morte.
A audácia pessoal, a última fronteira,
o vício mais solitário...)
AC
quarta-feira, 11 de junho de 2014
AS NAUS
Os navios virão,
as naus portuguesas,
carregando fontes cruas,
límpidas,
de desejos.
Eu guardo no meu peito,
delicadamente,
a isca que te levará
ao destino dentro de mim.
As gaivotas, nem boas, nem más,
cantarão a glória do amor
espraiado na areia.
Apenas contemplarão
em silêncio, o silêncio
entretido entre mim e ti,
sustentado no minuto
mudo de pernas abastecidas,
ainda rubras do amor realizado.
AC
NO ALTO DO MONTE
No alto do monte, tanta estrelinha encantada,
estou cá, estou lá.
Braço esticado ao longe, ponta dos pés,
mas elas fogem.
Piscam piscam sem parar, convidam
para a brincadeira:
A dança das celestiais cadeiras!
No troca-troca de lugar eu
irei parar lá em cima,
sentadinha na pele roxazulada do céu.
Os pequenos faróis me gritam:
Vem brincar! Vem brincar!
Já chego lá! Já chego lá, respondo!
E quase transpondo a minha lepidez,
ouço a voz da mamãe gritando:
- Filha, volte já, volte cá!
Pois em dia de noite tão escura o céu mais parece doente!
E de repente olho o céu
e me acendem centelhas!
-É verdade, mamãe!, eu penso,
Que catapora de estrelas!
AC
quarta-feira, 28 de maio de 2014
DIA DAS MÃES
Difícil definir o sentimento materno.
Certamente habita o local das grandes emoções, dos grandes terremotos ou furacões afetivos.
A Mãe que habita em mim tem um pouco de tudo:
de santa, de destemida, de cúmplice, de rigorosa,
de aflita, de neurótica, de tranquila,
de chata, de louca, de apaixonada.
Longe de mim ser uma mãe perfeita!(Tenho medo delas!)
Sorvo cada minuto que estou com elas.
Quanta vezes, quando finalmente estamos juntas,
passo o tempo simplesmente a olhá-las e a querer registrar
cada minuto que passa, cada gesto, cada sorriso,
cada indagação.
E tenho certa obsessão pela maravilhas das mãozinhas,
pela quais vou medindo dentro de minha própria palma, ou alma,
o registro do seu crescimento.
Acima do sentido para uma existência,
definitivamente, se elas me trouxeram algo, foi me tornar
alguém mais feliz.
Certamente habita o local das grandes emoções, dos grandes terremotos ou furacões afetivos.
A Mãe que habita em mim tem um pouco de tudo:
de santa, de destemida, de cúmplice, de rigorosa,
de aflita, de neurótica, de tranquila,
de chata, de louca, de apaixonada.
Longe de mim ser uma mãe perfeita!(Tenho medo delas!)
Sorvo cada minuto que estou com elas.
Quanta vezes, quando finalmente estamos juntas,
passo o tempo simplesmente a olhá-las e a querer registrar
cada minuto que passa, cada gesto, cada sorriso,
cada indagação.
E tenho certa obsessão pela maravilhas das mãozinhas,
pela quais vou medindo dentro de minha própria palma, ou alma,
o registro do seu crescimento.
Acima do sentido para uma existência,
definitivamente, se elas me trouxeram algo, foi me tornar
alguém mais feliz.
Plantei dois botões de rosa,
enamorada que sou das rosas,
e elas exalam tanto perfume
que o seu cheiro infantil me acompanhará
tal qual sombra agarrada,
em todos meus instantes,
em cada minha jornada.
enamorada que sou das rosas,
e elas exalam tanto perfume
que o seu cheiro infantil me acompanhará
tal qual sombra agarrada,
em todos meus instantes,
em cada minha jornada.
AC
quarta-feira, 23 de abril de 2014
AVATARES
O mundo ousa demais em deixar-me perplexa.
Não teme que dê-lhe as costas?
Se a vida é tão preciosa,
porquê me faz entender o sentido da morte?
Dou de ombros à finitude.
É necessária a passagem para o nada
uma vez que não compreendemos o presente.
Inconscientes da própria beleza,
vagamos nos dias como tolos macacos.
Enjaulados em bobagens proscritas,
música desafinada e pouco encanto.
E obedecemos aos falsos profetas,
aos deuses loucos e às psicopatias.
Doentes somos, da necessidade de parecermos humanos.
Não teme que dê-lhe as costas?
Se a vida é tão preciosa,
porquê me faz entender o sentido da morte?
Dou de ombros à finitude.
É necessária a passagem para o nada
uma vez que não compreendemos o presente.
Inconscientes da própria beleza,
vagamos nos dias como tolos macacos.
Enjaulados em bobagens proscritas,
música desafinada e pouco encanto.
E obedecemos aos falsos profetas,
aos deuses loucos e às psicopatias.
Doentes somos, da necessidade de parecermos humanos.
terça-feira, 22 de abril de 2014
TANTO TEMPO
Estendi o pano dos meus desejos
no pátio verde à beira do lago.
Já se faz tempo...
Já nem sei o que mais sinto...
Quis debruçar-me ali, junto a ti.
Dar-te o beijo proibido.
Quis abrir a porta do quarto
e resvalar minha nudez em teu colo.
Carregava um fado antigo,
uma procissão de palavras,
um sussurrar de mendigo.
Já se vai o tempo...
E talvez a beleza de outrora.
Quis encostar-lhe gentil,
perna em perna,
em um simples toque
repleto de atrevimento.
Na ousadia livre da minha entrega,
tantas vezes transpus as barreiras,
todas elas, e me detive em teu caminho.
Fugi para o teu colo,
fogo do meu pensamento.
Mas faz tanto tempo.
AC
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