O que sonha a bailarina?
Com troncos em suas pernas
e escápulas fabulosas.
E braços, longos e gentis,
que se avolumam cautelosamente
e se estendem num esgueirar-se infinito.
E a ponta, do pé doído,
que equilibra o corpo, que equilibra
o ritmo, que equilibra um edifício.
Mansa, qual gato sorrateiro.
Leve, pluma em voo absoluto.
Livre e solta a saltar, a girar,
a avançar, intrépida,
a construir redemoinhos,
arquiteta e deusa da beleza.
Dos seus sonhos possíveis, o que há?
Há a loucura humana, que sonha
ardores em seus pequenos seios
e famélicas cinturas desabrochadas.
AC