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segunda-feira, 24 de julho de 2017

VÃO LIVRE

Anita, Anita

Onde estás tu?
De que lado sombrio te resgato agora
Da ilusão partida em mil pedaços
Multiplicada em mil elementos

Anita, Anita
Onde escondo tua criação
Tão aflita a procurar pelo amor
Que não encontras nem em divinos sonhos

Anita, Anita
És esta criatura vítima de ti mesma
A reciclar tua tristeza em eternidade
A trazer sempre tua caixa de loucuras

Anita, Anita
Estás cansada de procurar a ti mesma
Em todos os lugares e a nunca encontrar
És a a corda rompida no alto da escada

E tu cais, Anita
Rápida como uma flecha
Certeira em teu tombo final.

E eu te assisto, somente,
Nas tuas mil quedas, 
No alto do vão da tua infelicidade.

AC




ASFIXIA

Que sei eu das coisas belas?
Que sei eu das coisas felizes?

Sou o peixe asfixiado do lado de fora.


Que sei eu do que espero de mim?
Que seu eu da espera por algo?

Sou a moça de cabelos negros no leito de morte.


Que sei eu dos desencantos vividos?

Que parte tenho de uma alegria fatiada?

Sou o sangue coagulado no estilhaço da bala.


Quem haverá de procurar por mim?

Onde se resgatam os sonhos rendidos?

Sou o corpo do indigente, urgente a necessitar de cal.


Que sei eu das janelas fechadas?

Como saio destes labirintos? 

Sou somente um corpo a esperar sua alma.


AC