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domingo, 10 de julho de 2016

O GRITO

Um dia
O grito alto, vivo, louco
Se tornará mudo, breve, rouco
Os pássaros dolorosos abrigados no peito
Romperão as asas em voos supremos

Os olhos inquietos ansiosos de nostalgia
Fecharão o passado para-sempre-para-trás

O leito cansado da água vertida
Se revestirá de recato, amparo e proteção

Toda a confusão e rebeldia sentidas
Serão quietude na constância e estabilidade

A incompreensão das tantas horas dolorosas
Serão objeto para afetos redigidos

E o grito forte, quiçá triste, quiçá rude, quiçá chiste 
Sucumbirá na melodia dos dramas
Que já não existem


AC

ALMA


(
para minha amiga Alessandra Carneiro Pondé)

Coração que bate quieto
Plantei em si a pequena grande semente da esperança
Nunca imaginei que poderias voltar a ser tranquilo
ou sorridente.
Nunca pensei que encontraria dentro de si mesmo
grãos adormecidos de sonhos,,nuvens e leveza.
Doidos caminhos tortuosos e áridos da vida
Quantas vezes nos enganamos com o óbvio:
Algum dia inevitavelmente, estaremos sozinhos.
Que venha doce esta solidão  e não amarga
Que venha via de aprendizado e busca
Ou que seja simplesmente o não querer nem tanto procurar
Ou o tanto ainda mais entender
A vida não carece ser compreendida,
mas sonhada.

AC