Na tradução imperfeita do mundo,
gira a roda, o sol nasce,
o bicho caça, a noite vem.
Lábios trêmulos esboçam amores.
O beijo e a sorte são lançados
em cada momento.
O destino é o painel
ainda não pintado pelo artista.
Safras morrem; colheitas insurgem-se.
O destino é a terra que será plantada.
A pressa passa.
Paciência é o caminho completo
que se deve escolher no lugar
de atalhos.
Chuva cai, criança floresce;
(No pátio das pequenas
felicidades,
cultivo duas delas).
Trovadores versejam seus vícios.
E no recesso do pensamento
pequenos monstros esboçam
ódios desvairados
ou paixões enganadoras.
O trem avança no resmungar
da fumaça que soluça no céu.
O destino é o trajeto percorrido
no pavimento da mente.
Os olhos servem à leitura da existência
e a boca degusta os sabores
ou dissabores que o mundo,
gentil, serve em sua bandeja imperfeita.
AC
Leia! Há de ter a sensibilidade necessária e talvez até paciência para entender as linhas ou as entrelinhas. Há de ser puro de coração, para permitir que a poesia ou o texto o invada. Tal qual um aroma, você pode senti-lo, sorvê-lo, inundar-se, e pode até tocar as palavras, seduzindo-se pelas infinitas possibilidades de interpretações e beleza. Quisera todos tivessem a mente aberta e o espírito livre para isso!
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sábado, 28 de setembro de 2013
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
MINHAS ROSAS NÃO ÓBVIAS
Hoje não quero rosas óbvias;
vermelhas, brancas,amarelas.
Quero rosas douradas!
E mais, quero rosas raivosas,
estremecendo no ranger dos dentes
que não possuem.
Órfãs e de vestes nuas,
cambaleando no meio das calçadas
como divas rancorosas.
Quero rosas com pintura forte
em olhos de cílios muito espessos.
Andarilhas sem direção,
transgressoras do destino edulcorado
para o qual premeditam existir.
Estas rosas abrirão voo
com pétalas que se farão asas.
E seu caminho não será revelado
a menos que para trás deixem
os rastros dos seus espinhos.
Fartas de traçados pueris,
elas seguirão bêbadas e febris;
Deixarão atônitos
os que creem que força
alguma pode reinventar a lógica
da ordem com o caos do
desconhecimento subvertido.
Aqui estão!!! Pois, e antes de tudo,
bravas rosas corajosas!
AC
terça-feira, 17 de setembro de 2013
SEMPRE
A glória abençoada dos meus dias,
meninas que me povoam os sonhos
em bracinhos e cachos e lindos lábios
com as risadas da divina criação.
Como respiro cada dia cada segundo
para não perder o tempo da transformação!
Minhas eternas deusas onde o dia
amanhece não uma, mas inúmeras vezes.
E no embalo em que nos braços
nos abraçamos, nos beijos nos beijamos,
sinto-as como tenra vida desenrolando-se,
alegremente, no recanto pleno
da minha felicidade.
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
EPÍGRAFE
Quando vou de encontro ao meu passado, o que vejo?
Escondido no que as fotos não revelam
ao congelar sorrisos falsos e forçados,
Tristeza:solidão.
Talvez porque tenha me exposto
para registrar o que seriam momentos belos ...
Em todas, mantem-se no ar,
Tristeza: solidão.
Quando viro as páginas deste catálogo
e se desenrola minha vida mês a mês,
sonho a sonho, vislumbro o devaneio perdido,
Tristeza: solidão.
As entrelinhas das fotos são bem claras
enquanto embalo bebês e bonecas
e bolos e confeites de alegria, mas lá pairam,
Tristeza: solidão.
Em todas, rebobino um filme como
se recordasse de forma exata cada minuto,
cada afeto negado,
Tristeza: solidão.
Procuro nos olhos, nos gestos retidos
onde o amor não se encontra
mas repousam de forma silente,
Tristeza: solidão.
Reiteradamente,
percebo o apreço negociado,
mas o débito quiçá seja muito alto.
Hoje o dia calha bem para o desalento,
nesta tarde chuvosa de cinzas,
tradução exata da minha epígrafe:
Tristeza.
Solidão.
QUEM
Lá vem ela, sutil,
a tirar-me o sorriso,
levar embora a paz,
encher-me de instabilidade.
Ela não se importa com meu medo,
faz pouco da minha coragem falsa
e me transforma em mera bobagem.
Caricatura do pensamento em razão,
eu, tola, rendo-me facilmente.
Extrai-me lágrimas à força,
mesmo quando, desatenciosa,
flerto com a normalidade.
Ela aparece tão repentina
que se aproveita de um momento qualquer.
E é tão delicada ao sufocar-me
que até creio que me queira bem,
em minha tola pretensão poética.
Ela se importa ou não, afinal?
Ao macular minha zona de conforto
quer mostrar-me algum caminho?
Ao acinzentar, descolorir,
deliberar à minha revelia
e me impor suas condições,
sinto que afinal sou mesmo
um ser pequeno e pouco estável,
criança que acabou de nascer
ou alguém na percepção de sua morte.
Acho que ela gosta de mim,
pois ela vem, sempre.
AC
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