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domingo, 21 de agosto de 2011

ADALGISA

       ( para minha mãe)

Quando lembro de ti,
penso nos relicários antigos,
nos broches de ouro,
nas delicadas sedas e cetins.

Penso nas lamúrias e queixas
de uma vida de perdas
e ganhos nunca reconhecidos,
nas paixões nunca sentidas
ou permitidas.

Não mais existem as avós antigas,
com seus dedos delicados e frágeis,
porém hábeis,
tecendo em gatilho
pontos perfeitos de crochê.

Como era mágico te ver criar!
Ouvir tua inteligência tão arguta.
Quisera tanto poder dizer-te hoje que te amava,
apesar de ser pessoinha difícil
e astuta.

Quando lembro de ti,
recordo a mim fazendo parte de
um tempo anterior.
Onde havia histórias de surras, desamores,
pontos e nós,
filhos não amados e bisavós.

Tudo fazia mais sentido então.

Hoje adulta, com crianças a criar,
ainda pego-me querendo ser
simplesmente a tua neta.

Minha avó. Minha própria história.

Mãozinhas de aranha,
tez feita de leite,
meu relicário antigo,
meu broche de ouro
minha delicada seda e cetim!


AC



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