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sexta-feira, 28 de abril de 2023

O QUE SOU


Brindo os pensamentos,

quando vertem-se em poesia.

Surgem para acalentar.

Possuir a alma, refúgio do infinito.

Criar gentilezas, padrões ouro 

e espelhos de abstrações gentis.

Que seria da vestimenta 

ordinária da vida

sem as palavras que dão sonhos,

traduzem intuições e pintam

quadros livres, felizes ou

melancólicos,

numa pura essência de deleite

e humanidade. 


AC



ESTOU

 

Estou


Na rua escura, parada e nua

Sentindo o silêncio que vem de mim,

Vem da outra margem,

vem de todos os cantos. 


Descubro


Que quando não há frio, medo 

ou desespero 

Tampouco luz, amor ou

melodia

O coração ainda bate,

silenciosamente 

Ou ruidosamente 

Com as sobras e pedaços que re-existem


E como haver vergonha na nudez

Mesmo exposta ou alheia ou visível 

Se no corpo jaz somente 

O que não reside?


Como um vaso sem sangue,

Uma alma errante, 

sem luz, fome ou abrigo.



AC