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terça-feira, 8 de maio de 2012

OURO


As gemas de ouro não têm valor
se não talhadas pelas mãos laboriosas
dos artesãos.
Assim como é a colheita das frutas maduras
que traz a nós o seu sabor.
O que está escondido por detrás?
Das intimidades e pensamentos.
A árvore retorcida em seus cem anos
só nos serve ao fazer sombra.
E o galope martirizante dos cavalos
é domado em crina e cauda pelos homens
que desejariam ser seres alados.
O que vê escondido adiante?
Nas revelações e comportamentos.
Abelhas obedientes servem o mel,
relicário da degustação nas papilas
que se adoçam, assim como
inebriam e hidratam as peles.
O que está escondido agora?
Tudo, tudo em mente a cada momento.

AC

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O BICHO



Não tenho mágoa: tenho veneno.
Tenho boca amarga
e andar curto e pequeno.
Sou lento e frio.
( e não espere o meu colo gentil).
Pois não fui feito para dar
seja lá o que for: sonhos, alegria ou amor.
Sou inconsequente
e não meço a imprecisão do presente.
Tenho astúcia (se intimide).
Não tenho calma e minha
alma se divide.
Eu serpenteio as margens
fujo pelos buracos
e nunca entro no cio.
Minha vida é ócio, meu andar vazio.
E se minhas bruscas mãos
se lançarem em torpedos
ao seu corpo, conte os minutos.
Escorpiônicos pavores
a alimentar seu tempo fugidio.


AC

AOS SANTOS


Tenho alma nova de natureza perdida.
Uma nitidez sublime,
as cortinas abriram-se
e o belo palco da vida,
de pesados tabuado,
fica leve sob meus pés que sapateiam.
Tenho alma livre de sonhos encantados.
A agonia é inerte,
escondeu-se a um canto
onde não se enxergam nem os febris
olhos de um gato.
Tenho a alma quente; aquecida e sadia;
Iluminação dos sentidos
que correm ferozmente
em uma tarde ao lado
do sol poente.
Talvez tenha alma breve;
Não me intimida os grandes receios
com os quais os santos glorificados
escondem suas vindas e idas.
Não quero ceder a um olhar alheio.
Pois os caminhos desta alma
são tantos que neles quero simplesmente passear,
ou mais simples ainda: experimentar a vida.

AC