Guardo a lembrança daquele beijo,
meu pequeno afeto perpetuado,
no gosto da tua língua doce, a me procurar.
E como te quero.
Guardo o beijo que, ao ser beijado,
paralisa em suspensão um ar represado,
uma súbita desaceleração do tempo,
toque contínuo e aveludado.
É bom lembrar.
Porque doce, e agora eterno, e mais
que isso, terno,
sorvido na lentidão dos que degustam
um mágico momento.
As auroras deviam nascer sob beijos assim,
trazendo do dia o frescor
e a esperança posterior
- como quase uma certeza-
de felicidade acumulada.
Vinho maturado, mel, cálice sagrado
de onde se bebe a formosa fruta,
do amor.
AC