Total de visualizações de página

quinta-feira, 8 de maio de 2025

DONDE

 

Que é, para mim, o nosso amor?

É a tua carne, e como te quero,

desejo contínuo e insaciável.

E repetidamente desejando tua boca

e as carícias melindrosas e certeiras,

todo teu desejo retido em mim.

(E quero teus movimentos, coordenados,

como quero teus risos, refugiados).

No avançar de braços e pernas

me reténs num looping acelerado,

onde me arrastas e me contrarias,

e quando tudo enfim se passa, logo se reinicia.

Nesse pequeno paraíso privado, 

onde tudo é profano e também sagrado,

tu estás, consagrado!

Deitado em meu corpo,

ainda quente do amor, que só se delicia.


AC








ÓCIO

 

Eu preciso das dores mais que dos risos.

Para que me possuas em meus vícios,

em rescaldos lentos de paraíso.

Eu preciso das chagas que não se consolam

mas que me consomem, 

combustão dos meus pensamentos livres.

Eu preciso da escuridão, pra me esclarecer,

entre versos e outras bobagens tristes.

Eu preciso das antíteses consagradas

em rodopios de leituras vivas, dolorosas,

aterradoras e apaixonadas.

Pois se na luz me vicio, no meu ócio, silencio,

na ausência das palavras frustradas.


AC





INCONSTÂNCIA

Em cada canto, há inconstância 

De palavras sussurradas e levadas ao vento.

Em cada sítio, há inconsistência,

Nas longas estradas percorridas a tempo.


Em cada asilo, há intolerância 

Na morte retida em todo momento.

E em cada gesto, incongruência 

Paradoxos de vida em seu pleno sustento.


Em cada porto, há inobservância 

De parte, do todo, cada movimento 

E em todo lado, há impermanência...


Na obsoleta sorte das horas, 

tua dor chora, mas recompõe-se,

e tu prossegues,

Sem pressa, fadiga ou lamento. 


AC