Total de visualizações de página

sábado, 27 de agosto de 2011

A FLORESTA

             ( para Clara)

A tarde já cai na floresta.
Para suas tocas, jabutis se recolhem,
lindas borboletas ainda percorrem
o silêncio e o sussurro das flores que escolhem.

Cigarras preparam a sua sinfonia,
orquestra do sol, que desce insano,
e atrás do horizonte, distante e plano,
cai o manto rubro do que já é noite e ainda é dia.

Neste meio termo de tempo, nem noite, nem dia,
uma estranha quentura toma a floresta,
aranhas espicham suas teias macias,
e os últimos raios se aninham em suas frestas.

A coruja acorda, preguiçosa e assustada,
mas a noite contudo ainda não se inicia,
pois é final de tarde, e uma cotovia,
ainda canta bem alto, cheia de energia.

Mas rápida vem a noite que negra se espraia,
Pois o tempo não espera, não pára ou aguarda,
e da doce quentura torna-se a floresta fria,
e outras criaturas saem em romaria.


Agora a coruja enche-se de coragem
e se embrenha na mata atrás de sua fome.
Morcegos invadem o céu da paisagem,
e pequenos roedores desavisados se expõem.

Na lagoa girinos nas folhas se escondem,
nas copas das árvores, em folhas e cipós,
taturanas e lagartas medrosas se encolhem,
e tudo é escuro, preto, cal e pó.

No alto da colina ouve-se um lobo,
uivando seu grito de dor ou abandono,
E olhos amarelos surgem em toda parte,
tomando a floresta sem medo ou alarde. 

De repente uma horda de vagalumes fluoresce
e faz-se súbito brilho no seio da mata,
E a noite avança adentro, e até a lua, bem alta,
anseia para ver o sol mais uma vez, que a aquece.

E  ele vem subindo, devagar e certeiro,
no ritmo das horas, sossegado e avante,
e a floresta se acende em um novo dia.
E um novo ciclo de vida se reinicia.  

AC 


Nenhum comentário:

Postar um comentário