encontrarão,
deixado dos escombros,
sonhos perdidos,
debaixo das pedras,
dores e suspiros,
debaixo das ruínas,
lágrimas e ruídos
atrás dos destroços,
almas destruídas,
entre lama e lixo,
corações partidos
debaixo das escadas,
gritos e gemidos.
E encontrarão
canções, verdades, mentiras,
palavras soltas, provocações,
miséria, doença, saúde
e alegrias pequenas ou desmedidas.
Mistérios, agruras, interesses vis,
gentilezas, maldades, cores,
destinos, justificativas,
incompreensões, aflições,
brigas, ódios extremos,
ódios medianos, rusgas,
boas e má intenções.
Rotinas mudas, resiliências,
cansaço, loucuras, egos,
impaciências e assentimentos.
Quando tudo acabar,
o mundo, palco árido e sem sentido,
vigia do teatro da vida,
observador contumaz e passivo...
deixará ao léu, em cada nicho
o suspiro do que um dia ocorreu.
E talvez quem sabe encontrarão
mais do que o meu infortúnio,
jazendo sob a vala encoberta,
meu tímido e verdadeiro sorriso.
AC
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