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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

ALUAMENTO

Às vezes, as vontades doidas me afligem
e quero sair por aí, conversando com os loucos,
com os que acreditam nas febres dos fins de tarde,
com os que colhem ainda, muitos amarelos,
os cálidos girassois do outono.
Quero telas vazias para poder pintar com cores-íris,
pratos na mesa para degustar com poucos.
Quero cheiro de sândalo nos incensos 
que acalmarão meu olfato rude,
Quero tocar lâminas de seda e tule
para tear cortinas delicadas e esconder
detrás de tais cortinas a nudez festiva
que assombra anciões lúgubres.

Quero incitar pavor!

Quero da vida um pouco da melancolia cronometrada
das horas.
Mas também quero a desmedida alegria 
como a que quando recebo, inusitadamente,
os beijos sorrateiros e sapecados de minhas filhas.
Quero a falta de ar dos corredores de maratona,
intrépidos atrás das linhas de chegada,
costuradas com a precisão do suor e comprometimento.
Ah! e como quero o doce encantamento
dos filmes de fadas, e também a última
e sofrida nota de um canto de fado.
E quero da noite a pura excitação e
e da tarde o inoportuno enfado.

Quero comandar as marés!

Quero a tirania dos homens deuses
a ousadia dos modelos nus 
a valentia dos heróis antigos
a calmaria da onda no final da praia.
Quero testar minha sorte nos jogos de azar
e amansar os ímpetos e as intempéries
que arrasam as vilas, credos, línguas, Fortes.
Às vezes, as vontades doidas me afligem
e quero sair por aí, conversando com os loucos,
com os que acreditam nas febres dos fins de tarde,
com os que colhem ainda, muitos amarelos,
cálidos e gentis girassois do outono.

AC

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