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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

A TELA II

Às vezes, quanto paro diante de ti
(tela descortinada)
mil inquietudes sobem à minh'alma;
- A tela, sem dores, sem queixas,
sem filhas, flores ou falas.
Até quando, eu me pergunto,
isso verterá dentro de mim?
Essa precipitação,
aflição boa e verdadeira,
tormenta sem hora marcada!
Não sei...
E não sabendo de nada
muitas vezes assim procedo:
Paro diante de ti,
sempre atenta, tão calada
e pergunto-me porque aqui vim:
- Oh tela, sem dores, sem mágoas...
Descobre o que tenho no grito
o nó no peito aflito
ou um mera alegria rasgada
de simplesmente estar aqui!
E me sobe um amor assim louco
Um abuso, uma doença, um apreço
pela coisa ainda não falada.
Aqui submeto o meu vício
e aqui me reparo no ofício
de preencher-te, tela amada!

AC




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