Tantas vezes me pergunto
de qual amor necessito...
Do teu, do meu, da vida lá fora...?
Tenho braços estendidos
que procuram, desorientados,
pela doce explicação das horas.
E vou cultivando, em introspecções,
o desconforto de nunca encontrar
o endereço verdadeiro que procuro.
Vou retraindo os meus sentidos
até essa ingrata percepção,
no ar que se retém no espaço doído dos pulmões,
na tristeza cálida e quase desejada que se avoluma
no canto dos olhos.
E quando os olhos por fim explodem
em pedacinhos de água morna, salgada...
... eu vejo o mundo lá fora...
sem endereços, sem ruas, sem amor ou
explicações.
AC
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