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sábado, 25 de julho de 2015

MÓRULA


Belo fervilhar de rabichos mágicos
nadando na fonte da vida, leitosa,
em busca do seu encontro ovular.
Os perseverantes chegam lá;
alguns jazem pelo caminho, pois toda luta de vida
é também uma luta contra a morte.
O sol exuberante e majestoso está no caminho,
fervilhante, exalando suas exaltações químicas.
Atraem os pequenos girinos ao seu encontro
para saciar-se neste conjunção amorosa.
Ao que consegue entrar,
fundindo-se com seu beijo fatal
segue-se o milagre teatral:
pares unem-se, siameses;
e neste coito íntimo de encontros
e arrumações, você acontece.
O que não havia, há um segundo atrás,
passa a existir, como num passe mágico e sublime.
Como pode então tudo se orquestrar
magistralmente ? Pois os pequenos encaixes
mandam e desmandam, formam e reformam,
nesta producente arrumação da vida.
Tudo ao seu lugar.
E logo um serão dois, quatro, dez, mil.
E ali está, subitamente, quase todo o destino;
ali está o amor, a alegria, a fome,
a tristeza, o choro, a preguiça,
a incerteza, o suor, o frio,
as angústias, as decepções,
a beleza, a agonia, a tolerância,
a paciência, a irritação, o sono
e quem sabe, até, o último dia está gravado,
o último suspiro já venha gravado,
no primeiro suspiro do magnífico despertar.

AC

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