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segunda-feira, 27 de julho de 2015

EDUARDO

                   (para meu pequeno paciente Eduardo)

Menino de faces sardentas, olhar desperto
inquieto e que a todos deixa alerta
ao nos abandonar tão atordoados
com as traquinagens que falas!
Ô menino que ninguém controla
a língua a boca os dentes!
Despejas a tua esperteza
a pressa dos pensamentos
mas tão depressa tão depressa
que nos larga perturbados
e dás nó na cabeça da gente!
Tu não esperas um minuto menino
pra sequer tomar fôlego e ar
antes de disparatar
o teu carrossel de astúcias
deixando teus pais adoidados!
Ô menino que não-para-quieto
Dai um minuto para nós menino
ô menino sabedor e versado
de um pouco em um muito tudo
e do tudo em um muito mais.
Ô menino sagaz, irriquieto,
quando bem velhinha for
e tu já um homem feito,
e ouvir sobre o homem-menino
que foi parar em Saturno e Plutão;
que nadou nas costas de mil golfinhos;
que inventou a máquina do tempo;
que deu nó em pingo d'água;
Saberei, menino travesso,
que alcançastes o teu impossível
e talvez neste tempo incerto
terás sossegado o alvoroço
deste espírito intrépido !

AC


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