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terça-feira, 24 de novembro de 2015

O RETRATO DE UM ÁLBUM

Eu vi a mim aos 22 anos.
O que ali vi?
Rendida em pura inocência
daquelas em que já não se acredita.
Que sabia eu dali?
Em meus breves 22 anos?
Do mundo só depois entendi
a aspereza.

Eu olhei meus próprios olhos
Vi meus sonhos então não vividos
e que ainda não vivi.

Eu vi brilho nos meus olhos
que parecem ainda mais negros que
os meus olhos menos negros hoje.

Eu vi um sorriso vendido, de tão fácil,
expandido
na alegria pueril de quando se é jovem.
Meus sorrisos hoje
são todos premeditados.

Eu vi meu futuro doce
a me esperar,
paciente na lentidão do tempo
de quando se tem 22 anos.

Eu não sabia que de tudo 
que ali não concebi, menos ainda teria;
ou menos ainda faria,
pois vejo que muito pouco fiz.

E vem assim essa certidão
de que uma vez nascida então não cresci.

Porque meus sonhos ficaram tão escondidos
nos retratos doces dos meus 22 anos
que se da vida colhi dois amores: minhas filhas,
de resto, empalideci.

AC












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