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domingo, 18 de setembro de 2011

O MILAGRE

                                  (texto)

Se somos jogados no olho do furacão,
que isto importa?
A vida está aí, clamando para ser vivida, e rapidamente.
Ela é urgente, é imperiosa e se auto-define.
Somos as peças do tabuleiro; movemo-nos
com os passos que podemos dar, na
maratona de incongruências e incertezas.
O que importa é chegarmos em algum lugar.
Não quero a vida previsível, certinha e bem acabada.
Não gosto das pessoas que são muito equilibradas;
Não gosto de pessoas que têm medo disto ou daquilo.
Não gosto de pessoas que não se comprometem.
Não gosto do medo; o medo é irrealizador e refreia nossas capacidades.
Não gosto do politicamente correto.
Não gosto das pessoas sem problemas.
Gosto dos que lembram do quão humanos temos de sempre
aprender a ser, lidando com angústias, depressões e vaidades,
e desvios de um "destino" previsível.
Tenho anseio pelos corredores estreitos, labirínticos,
pelas escadas íngremes e pelos pavilhões cheios de sentimentos.
Não temo em pular da janela; mesmo que, unicamente,
seja a morte a me aparar.
A previsibilidade é o que nos detona
e nos mata antes de morrermos.

AC

Um comentário:

  1. NOTA DA AUTORA: "Na fase azul (1901 a 1905), Pablo Picasso pintou a solidão, a morte e o abandono". A fase azul é sucedida pela fase rosa, em que Picasso apaixonou-se e passou a usar tons de rosa e laranja em seus quadros, ainda muito longe de uma forma cubista, mas não por isso menos belos.

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