Destitui-me de mim mesma.E plainei acima de tudo.
Arranquei minha alma à força
precipitando-me num vôo sem destino.
Não quis ver as dores do mundo,
os amores,
os lugares,
os ardores.
Quis tentar ir além e me encontrar.
Talvez em algum porto perdido,
escondida em alguma paragem,
sem pressa, urgência ou afã.
Talvez recolhida distante,
ou talvez escondida tão perto,
sem conseguir me enxergar.
Porque tanto tento escrever,
escrever, escrever, sem parar?
Porque nesta urgência infinita,
tenaz, obstinada e aflita,
de tanto querer me encontrar;
é nelas que minha alma se acalma:
Nas palavras, ditas ou não.
AC
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