Tenho medo dos olhos alheios,os cheios de convicções.
Mas procuro nos olhos os esteios,
os medos e as tentações.
Nos olhos sem meios termos
procuro o próprio receio.
E no olhar duro e feio
vasculho suas comoções -
o próprio humano em seu seio.
Em olhos hostis e de enleio
pergunto-me então a que veio.
Pois olhos assim de permeio
permitem vis considerações.
Não me olhe então com olhar cheio
ou com os olhos sorrateiros
de certeza e prontidão.
Pois não temo da vida o sorteio
de quem cujos olhos e anseios
espelham sua alma sem rodeios.
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