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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

DESAVANÇO

                (texto)

Um sonho se foi,
mas o sol ainda nasce todos os dias no horizonte.
Um dos fatos mais aborrecidos é supor como o mundo pode continuar sua rotina, inexorável e avante, mesmo quando coisas tristes acontecem na vida: mortes, perdas, desastres, separações.
Porque o mundo inteiro não para, não grita alto e na mesma frequência esta dor? Porque os noticiários não se calam diante das outras mazelas, os carros se aglutinam nos engarrafamentos, o relógio passa a registrar somente aquela hora?
Porque é isso que faz a dor, quando a sentimos: ela estanca o nosso tempo naquele interminável segundo de indignação, raiva, impotência, sofrimento e tristeza.
Sua vida não mais te pertence, ela pertence ao lento processo de reconciliação com sua paz interior, a seus objetivos retraçados e à incrível tolerância e assimilação dos seus sentimentos que deverão agora se auto-reajustar.
A vida não espera por você. Ela avança linear, cega, indócil e determinada, insensível e inquestionável, rumo ao seu rumo desconhecido.
Mesmo que o sol continue a nascer, todos os dias, no horizonte.

AC 


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