Total de visualizações de página

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

MINHAS

Quando envelhecer,
elas virão comigo.
E as horas difíceis
são aquelas nas quais
elas tanto me confortam.
Elas não me exigem nada.
Não me exigem sóis,
marés, teatros ou paixões.
Elas são incondicionais,
simplesmente.
E não querem nem mesmo
o meu amor.
Talvez, e só, um pouco do meu tempo.
Quando eu morrer
elas ficarão aí, aqui, ali,
contando fragmentos de histórias
absurdas ou equivocadas,
doces ou sublimes,
mas que um dia existiram.
Elas constroem e são minhas teias,
nas quais estou capturada.
Elas se aproximam e me sorvem então por completo.
E já não sei se sou eu ou se sou elas,
as donas do meu destino.
Já não sei onde eu começo e elas terminam.
Elas são o esboço de minhas rugas,
são o esforço e a facilidade
com que resolvo contar as minhas
verdades ou mentiras.
Elas agora estão aqui, neste papel.
São incondicionais,
simplesmente.

AC

Nenhum comentário:

Postar um comentário