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sábado, 26 de novembro de 2011

TEMORES

                  
                        ( texto)

Não temo as almas penadas; temo as gentes!
Mas não temo as pessoas loucas;
temos as pessoas desalmadas!
Pois sem loucura é impossível se viver na sanidade,
tornando ao esquecimento todas as mazelas,
pequeninas ou muito grandes, que a vida impõe.
Não temo a vida; e não temo também a morte.
A vida é esta incongruência inconsistente
à qual conseguimos dar algum sentido, ao termos filhos.
Mas quando morrer, temo a falta que sentirei das pessoas amadas!
Quando a morte vier, gostaria de lhe oferecer uma xícara de café
pra sentar com ela em algum canto e conversar.
Espero com sinceridade não estar demente para isso, pois
talvez ela me dê as respostas que eu tanto procure, em vida.
Porque a vida não conversa, a vida nos toca, este imenso rebanho humano
em procissão sabe-se lá para onde.
De onde, porquê e para que; não, não serão estas as minhas perguntas,
pois então, para que já estas me servirão?
Mas quero perguntar das gentes;
das gentes desalmadas;
do que é loucura e sanidade;
se é possível con-morrer com a imensa saudade.
O que é sorte, o que é medo.
A morte talvez conheça bem os homens de bem e os maus homens, estes e outros elementos que ou me nauseiam ou me fascinam.
E talvez, a morte conheça a mim mesma melhor do que eu,
clichê pobre mas inevitavelmente certo de quem tanto em vida, pergunte tanto e tão pouco responda, sobre si e sobre os outros.


Anita Campos




Um comentário:

  1. NOTA DA AUTORA: Van Gogh, "louco", em mais uma de suas belíssimas obras.

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