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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O NAVEGADOR

               ( para meu pai)


Navego em ondas de poesia,
pelo mundo a desbravar os mares,
os ares, as terras, feitas de neve ou sal,
de poeira, pedra, pirâmide ou esfinge.
Para além do mar, descubro os infinitos,
as possibilidades distantes e distintas,
as pobrezas, dores, alegrias e as fomes,
sou um navegador sedento de energia!
É da minha natureza inconstante e arredia,
não aceitar um só lugar, uma só poesia;
sou um pirata do mundo, em meu barco de euforia,
em que os ventos de emoção e de coragem
empurram minha proa repleta de miragem.
Não sei se nasci de Cervantes, eu, um Don Quixote,
procurando nos moinhos com os quais luto,
minha própria libertária realidade.
Ou talvez, ao tentar desvendar o mundo,
seus mistérios impenetráveis e profundos,
seus povos insólitos, seus destinos,
eu fuja do meu próprio porto,
da minha lenda e de onde me oriundo.
Vou além do meu frágil corpo físico
e ocupo o corpo de tantos outros,
expando minha mente cheia de ideias
traçando minha própria odisseia.
Não aceito assim um simples lugar que convém.
Quero abraçar o mundo, os horizontes além.
E nesta peleja desejada e desatada,
nó perfeito de quem tanto elocubra,
talvez finalmente, nesta incrível saga,
eu próprio me perceba e me descubra.

AC

 




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