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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

FOTO ANTIGA

Nos andares superiores moram as velhas senhoras.
Com seus longos vestidos de cauda,
cabelos encomendados em coques altos,
cenho franzido em suas faces conspurcadas.
Não sorriem, não comentam, seguem caladas
no relógio quebrado de séculos de outrora.

Nos andares médios estão os senhores de porte.
Garbosos em sues ternos de corte,
escondidos em seus chapéus de respeito
e espessos e rigorosos bigodes.
Não há um sorriso estampado nas faces duras
das vidas desconhecidas do instante mágico das fotos.

Nos andares inferiores vêem-se crianças antigas.
Borradas do tempo e deslocadas de tudo.
Com fitas de renda e linhos cozidos,
pequenas e por seus paletós engolidos,
não têm alegria em seus espantos mudos,
crianças travestidas de adultos.

A foto é um pedaço perdido;
em um espaço perdido;
em uma dimensão inexistente.
Não fala de amores;
não mostra suas dores
tampouco há cores.

A foto é um retrato
tosco e barato,
não gentil e abstrato
de personagens de cera,
perdidos nas cenas
pouco emocionais de suas vidas.

AC

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