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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O SEXO DOS ANJOS










Os anjos que orbitam seus sítios celestiais
também ficam doentes.
Sentem dor e frio.
Acalmam-se e se apaixonam.

Não há sangue em suas veias, pois que há fluidos etéreos e ectoplasmas gaseificados.

Há inconstância em suas alegrias.

Os anjos também são rebeldes
ou loucos ou podem ainda ser
soturnos mesmo morando no belo azul
abismal que lhes rodeia.

Não enxergam o que há muito acima
ou o que há muito abaixo,
a não ser o que lhes seja permitido.

Os anjos passeiam em suas hortas de
volumosos pêssegos e saborosas amoras,
colhidos no frescor de suas safras.

E aquecem-se ao se cobrirem com suas próprias asas.

As asas! Ah, capítulo à parte,
pois de plumas e penas e feitiços tão brancos
e pálidos, algumas mais crespas, outras mais lisas,
permitem que cruzem os céus das calamidades,
debaixo de chuvas, trovões e tempestades
e funcionam mesmo molhadas.

Os anjos gostam de água.
Pois não é incomum vê-los sob fina chuvarada,
no interior de tornados ou furacões.

Mas os anjos não falam. Comunicam-se com olhares
e somente se ouve o som de sua doce e aguda voz
quando se juntam para os louvores sinfônicos 
na mudança das estações.

Os anjos podem ser impacientes.
Vestem-se com o manto invisível do céu,
esta fina camada atmosférica de elementos
químicos combinados.

Os anjos são imperfeitos.
Sendo um mundo à parte,
o que fazem, o que querem,
a que seguem ou o que entendem, é difícil dizer.

Bom mesmo é crer que eles existem.

AC

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