Os anjos que orbitam seus sítios celestiais
também ficam doentes.Sentem dor e frio.
Acalmam-se e se apaixonam.
Não há sangue em suas veias, pois que há fluidos etéreos e ectoplasmas gaseificados.
Há inconstância em suas alegrias.
Os anjos também são rebeldes
ou loucos ou podem ainda sersoturnos mesmo morando no belo azul
abismal que lhes rodeia.Não enxergam o que há muito acima
ou o que há muito abaixo,
a não ser o que lhes seja permitido.
Os anjos passeiam em suas hortas de
volumosos pêssegos e saborosas amoras,
colhidos no frescor de suas safras.
E aquecem-se ao se cobrirem com suas próprias asas.
As asas! Ah, capítulo à parte,
pois de plumas e penas e feitiços tão brancos
e pálidos, algumas mais crespas, outras mais lisas,
permitem que cruzem os céus das calamidades,
debaixo de chuvas, trovões e tempestades
e funcionam mesmo molhadas.
Os anjos gostam de água.
Pois não é incomum vê-los sob fina chuvarada,
no interior de tornados ou furacões.
Mas os anjos não falam. Comunicam-se com olhares
e somente se ouve o som de sua doce e aguda voz
quando se juntam para os louvores sinfônicos
na mudança das estações.
Os anjos podem ser impacientes.
Vestem-se com o manto invisível do céu,
esta fina camada atmosférica de elementos
químicos combinados.
Os anjos são imperfeitos.
Sendo um mundo à parte,
o que fazem, o que querem,
a que seguem ou o que entendem, é difícil dizer.
Bom mesmo é crer que eles existem.
AC


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